O galego é umha língua internacional!

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

25 de Julho, dia da naçom galega


Após a multitudinária concentraçom do passado 17 de Maior é necessário que o povo galego volte expressar mais umha vez a sua dignidade com umha grande manifestaçom neste 25 de Julho, o dia da nossa naçom, a naçom galega. Com indicava Castelao, o risco fundamental do nosso povo é a língua e se "ainda somos galegos e por obra e graça do idioma".

Nesta semana o sector gandeiros e leiteiro voltará às ruas reclamando um preço digno para os seus produtos, que faga sustentável e rendível o seu trabalho, o que passa por um contrato do leite com um preço de 0'42 céntimos por litro de leite, ao tempo que é necessário frear as importaçons de leite negro francês.

Este 25 de Julho, coma todos os dias do ano cumpre pensar, sonhar e agir por umha Galiza ceive, socialista e nom patriarcal:

Nós Sós!

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

O Brasil fala a língua galega


Júlio César Barreto Rocha


"Omite-se o nome da Galiza, como se esta não
existisse, como se esta não tivesse história,
vida e cultura nacional."

(M. A. Fernán-Vello, poeta e galeguista)

Não se pode dizer que traz muitas facilidades dizer que o Brasil fala a língua galega, quando já pouco se discute que fale "português", dentre os filólogos. Também não se poderia afirmar que este é um tema novo. Ao contrário: são ao menos setecentos anos em que muitos estudiosos do Mundo, muita vez por ignorância quanto à "questão da língua galega", não põem em dúvida a existência de um idioma eminentemente "português", diferenciado em sua essência de suas raízes primeiras, "sendo oriundo diretamente do latim". São pelo menos setecentos anos desta injustiça histórica; uma injustiça cultural com um povo, mas também sócio-política, ademais de lingüístico-terminológica. Muitos por certo são contrários de antemão a nomear de "galego" à língua comum atual empregada por brasileiros, portugueses e galegos, valendo-se de artifícios pseudo-sociolingüísticos para isolar as várias faces do idioma. Contudo, um olhar mais detido e menos desdenhoso com a História e com a ideologia que inexorável conduz o resultado dos estudos --a cuja menção também não é nada nova-- poderá contribuir com alguma luz às investigações filológicas, no que concerne ao estudo do "português" como um continuum, de antes de abandonar a Península Ibérica a nossos dias, conciliando os ânimos dos lusitanistas munidos de "pré-conceitos" com o melhor dos argumentos: a inafastável História e uma penetração nas diretrizes das "razões de Estado", do caminhar da História em si, ou mais concretamente na História da Língua, e a partir do prisma das Políticas Lingüísticas dirigidas pelos Estados.

É certo que há neste texto imprecisões variadas, desde o título (uma vez que não é a terra que fala uma língua, mas seus habitantes). No entanto, outros elementos, dantes afastados, parecem mais importantes de realçar neste momento. Em primeiro lugar, deixo patente que estarei me referindo à "fala", não à escrita, quando imagino a "língua", seja de antes do século XIV (quando não há controvérsia quanto à nomenclatura), que hoje é admitida por todos como "galego-português" [1], seja a atual, seja aquela de antes da escrita no idioma que se diferenciava do latim. A língua na modalidade escrita, a partir da concepção de signo em Saussure, é ainda mais arbitrária que a língua na modalidade falada, portanto menos representativa. Assim, o que ganha primazia, aqui, para a consideração de língua, como veículo de comunicação (máxime na Idade Média), é a realização oral. A essência da linguagem é o diálogo, como se sabe. A fala é língua viva, a língua "verdadeira", e bem mais importante que a escrita, que veio a ser mera decorrência daquela. Assim, o fato de existir o desejo de procurar distanciar uma variedade lingüística da outra por intermédio de artifícios ortográficos não será relevado aqui. A Filologia, para aqueles que insistem em opô-la à Lingüística, pode prescindir dos estudos sobre a fala, mas vale-se constantemente de uma projeção do que deve ter sido a fala de antanho, a partir de textos escritos --mas não pode ignorar o fato de que a fala existiu antes de os textos ganharem um suporte físico mais estável, seja ou não mais "literário", como os poemas dos cancioneiros galego-portugueses.

E, a despeito de sabermos que fala difere de escrita, e sabermos que uma língua dispensa a representação gráfica, havendo ainda distinções internas maiores, consideradas como ritmo, prosódia, entonação, "sotaque", etc., muitos filólogos ainda cedem à tentação de tomar uma coisa pela outra. No texto de Fernández Rei "Posición do Galego entre as linguas románicas" [2], o ótimo professor constrói um texto de excelente qualidade histórica e, ao final, resolve alcançar uma determinada conclusão, querendo isolar a língua galega da portuguesa, ao confundir língua com variedade de fala, por intermédio de uma citação de Otero Pedrayo, que diz:

"O galego é moito mais fermoso que o portugués. Ten menos dificultades de pronunciación: é unha lingua románica, latina, amplia, simpática, aberta. Hai que conservala así."


O trecho desafortunadamente eleito obviamente não é um argumento filológico; reflete não apenas preconceito, mas dá ainda mais espaço a uma confusão secular que isolou o povo português de seus lingüísticos "pais" galegos: ressalta pequenas distinções de pronúncia, com um toque de patriotada, e dele resulta uma justificativa do tipo "rebelde sem causa": como o voluntarismo de um adolescente que deseja deixar a casa paterna. Claro que, no caso em tela, é o "pai lingüístico" que se rebela, pela voz do Otero Pedrayo em boca de Fernández Rei, contra o "filho lingüístico", que herdou a língua galega, quando se constituiu em Estado soberano no século XII, e deixou os pais esquecidos nas tramas do passado comum [3]. O reinado da Casa de Avis (1385-1580) em Portugal consolidou a idéia de que a língua, antes sabidamente geral, de ambos, galegos e lusitanos, era originariamente "portuguesa", existindo um período de "formação" apenas superado após ultrapassado o tempo de glória dos cancioneiros medievais.

Claro que já não é mais admitido pensar Otero Pedrayo pela ótica daquele viés momentâneo da citação supramencionada, ademais extraída de uma simples entrevista. Segundo o escritor Méndez Ferrín, em recente colóquio em Compostela [4], Pedrayo foi o primeiro que levantou a bandeira em favor dos portugueses [5]. Todavia, ainda não é este o nosso tema central. O que desejo relevar é o fato de que a língua portuguesa, como já se sabe de longuíssima data, não é propriamente portuguesa; ou seja, a língua falada em Portugal, queira-se ou não, veio de fora de suas fronteiras de hoje, e é anterior aos Cancioneiros galego-portugueses, anterior ao Estado português: nasceu numa terra que constitui o que ontem era a Gallaecia e ainda hoje é a Galiza, uma Comunidade Autônoma. Logo, o idioma aqui gerado e desenvolvido deve ser chamado de "galego".

O que atrai a atenção, neste caso, é a omissão histórica: como pode um fato tão simples ser mantido obscurecido, como um segredo de alcova, por tanto tempo, afastado dos livros e das discussões? Não podemos continuar fingindo que poucos estudiosos lembram de citar a Galiza quando se referem aos "falantes de português" que há no Planeta [6]. Esta omissão não é, como poderia parecer à primeira vista, fruto de mero esquecimento. Como tudo neste mundo, houve, e de uma maneira diversa continua havendo, bons motivos para "esquecer" este fato, que, analisado, não chega a ser tão estranho assim.

A Galiza forma uma nação concreta, que, juntamente com outras várias nações (Castela, Catalunha e o País Vasco), constitui o Estado espanhol. A Galiza é, em tudo, uma espécie de "país dentro de um país", com seus desejos, história, fronteiras, tradições, mártires e lendas diferenciados. A língua também era diferenciada desde o primeiro milênio de nossa era. Logo, trata-se aqui neste texto de fazer constar uma simples anotação: a língua dita "portuguesa" não é verdadeiramente portuguesa. Isto é: não é precisamente autóctone do território português, como se vangloriam por séculos "os pais" dos brasileiros. Durante quase um milênio foi muito interessante para Portugal ignorar a existência da Galiza, pois isto mantinha o mito de que a língua dita portuguesa fora gerada e era originária exclusivamente de seu território, de seus habitantes, que englobavam os primeiros lusitanos. Podiam, assim, com mais vã-glória, jactar-se os governantes, perante o povo, de serem portadores e guardiães do idioma de Camões [7], obtendo a união das gentes e o propósito comum que conforma um Estado-nação. Posteriormente viria a idéia de que levava "seu" idioma a terras as mais distantes do Globo.

Não podemos negar a bravura dos aventureiros marítimos, dos tenazes navegadores portugueses. No entanto, por uma questão de respeito à história, deve ser desvelado, com todas as letras, que, na realidade, os portugueses levaram consigo não um idioma próprio, mas a língua galega, o idioma que primitivamente era dos habitantes do Norte da Península, que ficavam para trás, esmagados pela histórica pressão castelhana, que "domou e castrou" os verdadeiros "pais da língua", os quais falam o galego até nossos dias.

Criado por derivação do latim, o galego recebeu contribuições germânicas, elementos árabes e componentes indo-europeus e pré-indo-europeus de todo tipo, ainda na Galiza, no antigo território da Gallaecia romana. Depois descendeu mais ao Sul, levado pelos galegos, e ocupou o Norte do espaço que somente muito depois pertenceria ao território global do que seria chamado Portugal, entre os Rios Minho e Douro, e em seguida se estendeu até o Mondego (limite da Gallaecia até avançada época), para finalmente se espraiar até o extremo Sul da Península, e agregar outras contribuições (moçárabes, inclusive). Podemos aqui traçar este paralelo: Assim como o Brasil, após receber o patrimônio lingüístico dos portugueses --assimilando componentes tupis ou africanos-- manteve a estrutura da língua dita "portuguesa", da mesma forma os portugueses admitiram outros elementos, mantendo a estrutura originalmente galega.

Com o tempo, a Galiza foi esmagada politicamente, enquanto Portugal desenvolveu uma literatura pujante, e sobretudo conquistou outras terras, distribuindo "sua" língua e sua cultura. Chegado o século XX, e com a queda do regime franquista, e com a Constituição espanhola de 1978, as comunidades nacionais da Espanha recobraram o direito à proteção de seu patrimônio lingüístico. Em 1981 surgiu o Estatuto da Comunidade Autônoma da Galiza [8], que expressamente devolvia à legalidade a língua galega, que, oculta por séculos, ficara restrita quase que somente ao meio rural, mas que, em tudo, lingüisticamente falando, é a mesma língua portuguesa, como atestam filólogos de todas as partes e de variada tendência.
Não podemos esquecer que Portugal é tido como o país que possui a fronteira "mais antiga e mais estável do mundo" [9]. Mas isso se considerarmos o Portugal-Estado como entidade política, soberana no conjunto das relações internacionais. Como nação, que é o conceito principal implicado na concepção de língua, a Galiza é naturalmente mais antiga que Portugal [10]. O fato de que a Galiza tenha sido reinado peninsular entre os anos de 926 e 929 não diz realmente tudo. Mais do que isto, os galegos se constituem como povo com identidade própria, diferenciada, criadora da língua, de hábitos e de tradições ainda antes disso. Confirmando essa idéia, diz o texto promocional de uma série de "encontros" que terá lugar neste ano de 1996, de 16 a 19 de dezembro, no Museu do Povo Galego:

"Na cidade galaico-romana de Bracara Augusta, hoje Braga, apareceu já há bem tempo uma inscrição dedicada a un neto do imperador Augusto. Nela surge à luz, pela primeira vez, o nome de Gallaecia. É a sua primeira aparição histórica documentada. Não é possível conhecer a data exata dessa inscrição, que pode ir desde o ano 5 antes de Cristo até o 4 depois de Cristo. Alguns dados fazem mais provável o ano 3 antes de C." ("O Feito Diferencial Galego na Historia")


Ora, a Galiza é um país de dois mil anos pelo menos; possui um idioma consolidado há mil anos aproximadamente. A despeito de existirem habitantes do Sul como povo diferenciado politicamente antes disso, o "Portugal", como um todo, existe como Estado há apenas 800 anos [11], e recebeu a língua evoluída do latim desde o Norte --como se deu também com o próprio castelhano e o catalão. Logo, o idioma português é verdadeiramente a língua galega que foi ligeiramente modificada, e não o contrário.

O ocultamento deste fato histórico se deve fundamentalmente a dois grupos de fatores. Por um lado, os "séculos obscuros" e o esmagamento político da Galiza, aliados à modéstia galega, e à natural soberbia da Pátria de Camões --que com os chamados "grandes descobrimentos" conduziu os estudiosos ao erro de encobrir outros fatos importantes do passado, submetendo a História à Sociolingüística. E, por outro lado, deveu-se esta situação à difícil convivência entre os impérios espanhol e português, que tinham no território da Galiza o ponto nevrálgico de seu relacionamento. Dois impérios globais em confronto necessitaram desta mentira secular.

Ilustrando o submetimento da História à Sociolingüística, recordo das palavras de Carvalho Calero [12], acerca dos "co-dialetos originais, português e galego". Segundo o eminente filólogo, "um adquiriu categoria de língua e o outro permaneceu em estado dialetal". Claro que este erro já foi corrigido pelo próprio Carvalho Calero, mas deixa entrever profundas marcas deixadas no espírito do povo galego, que possui a consciência, hoje, de que fala uma língua própria, de pertença original de seu território, e não um dialeto "derivado" do português ou mesmo do castelhano (como já aventaram, através dos séculos, estudiosos dedicados a defender um ou outro império). Afinal de contas, embora existindo apenas na modalidade falada, uma língua não pode ser rebaixada a estado de dialeto --e isto era uma necessidade do par de impérios, Portugal/Espanha: para manter seu equilíbrio, sempre inestável, por um lado omitiram a realidade da paternidade galega da língua que era e é comum às duas margens do Minho, e por outro lado castravam a modalidade escrita do galego.
Cabe destacar também que quando se fala no período de "formação da língua portuguesa", fala-se na verdade da língua galega formada, mas que, como qualquer língua, está em constante deriva, evoluindo em alguns traços, incorporando as necessidades lingüísticas dos falantes. Ressaltar o português em oposição ao galego-português antigo é, em grande parte, cumprir uma determinação política imposta pela antiga disputa territorial. A língua, em sua essência, permaneceu indomada, embora esmagada a modalidade escrita do tronco principal galego; fato jamais negado pelos estudiosos de todas as pátrias: "Galiza e Portugal apresentavam perfeita unidade de língua e literatura", disse o brasileiro Leodegário de Azevedo Filho [13]. No mesmo sentido, José Luis Rodriguez, Catedrático da Universidade de Santiago de Compostela, em sua tese de doutoramento, lembra que "en cuanto a la uniformidad, () constituye (el gallego-portugués) un bloque más unitario aún que el provenzal literario" [14].

Em um livro intitulado "Galicia y Santiago", publicado no México em 1749, fala-se a respeito de autores espanhóis, de expressão castelhana, descendentes de galegos, como "escritores de Galicia" [15], o que retrata a tentativa de, para reprimir a fala, e garantir a unidade de território, fixar a escrita em castelhano como a única possível, fato corrente até mesmo há poucos anos: o idioma cervantino era o apropriado à escrita empregada nas Universidades galegas, inclusive. Esta é uma verdade que, nestes últimos quatro lustros, apenas deu os primeiros passos em um agora inevitável processo de superação dos "séculos obscuros prolongados" [16].

Os brasileiros, quando buscavam auto-afirmação político-lingüística perante a antiga Metrópole portuguesa, admitiram, após polêmicas acerbas, cujo epicentro está em meados do século passado, que seu idioma era mesmo o "português", e não uma "língua brasileira" --por razões lingüísticas, mas destacando fundamentalmente o cunho histórico. Pelo mesmo motivo, podemos então admitir que o Brasil fala, à sua maneira, a língua galega, uma vez que o idioma que falamos, derivado do latim, é autóctone da Galiza, que transformou a língua dos romanos antigos, bem antes de terem-na os estudiosos como "língua portuguesa".

É claro que, tratando sincronicamente, poderemos divisar inúmeras possibilidades de interpretar a fala brasileira (já por demais polifacetada em seu próprio território) em dissonância com a galega: de séculos de distanciamento cultural quase que completo não poderia resultar uma equivalência absoluta [17]. Entretanto, no âmbito da diacronia, resgatando as origens de nossa língua compartilhada, é inegável a conclusão de que o Brasil, com traços característicos, fala o galego. Ademais, este trabalho se insere na conjuntura ideada de uma História da Língua que não pode, hodiernamente, eludir a política lingüística ditada pelos interesses de Estado. O erro de estudiosos dos séculos passados, a despeito da famosa admoestação de Nebrija [18], a dissimular o viés da interpretação que segue o caminho dos interesses econômico-imperialistas, permitiu o esmagamento de povos e a subtração de outras verdades límpidas como esta, que os filólogos devemos trazer à luz.

Claro que poderíamos manejar outros argumentos, que não apenas o elemento histórico. Lindley Cintra [19], apoiado em Leite de Vasconcelos, alude, por exemplo, à "influência de hábitos articulatórios de um substrato étnico" de celtas, que, sabe-se, deslocaram-se desde o Norte, "cuja presença Estrabão e Plínio assinalam nas margens do Tejo". Desta forma, o próprio filólogo português explicita que o sistema vocálico luso teria sofrido influxos desde o Norte galego. A presença das vogais mais escandidas no galego atual, que possui menos força ao Sul, em Portugal (cujos falantes obscurecem as ocorrências destes sons, como em "m'nino" ou em "p'ssoa"), permanece mais integral no território brasileiro, cuja população, em sua quase absoluta totalidade, encontra parâmetro distintivo do falante português justamente nesta vocalização mais "perfeita" nossa, por assim dizer, igualando-se ao falante galego --que inegavelmente mantém também mais acesa esta "característica celta". A língua falada na Galiza, que é a real Pátria da Língua, que instituiu o sistema vocálico e a musicalidade do galego, faz-se presente no Brasil. Portugal, deixando-se influenciar pela fala moçárabe (como querem alguns), de certa maneira "capou" a musicalidade galega aludida por Otero Pedrayo.
Agitam-se alguns estudiosos com a idéia, justamente, de que a influência moçárabe em território português, mais ao Sul de Braga, diferenciou a língua determinantemente do galego constituindo-a em "outra língua". No entanto, sob o prisma histórico-cronológico mais singelo, este argumento não resiste por muito tempo: Os moçárabes já se encontravam também mais ao Norte, no território que apenas séculos depois seria considerado "português", ainda no século VII, antes quinhentos anos de existir Portugal politicamente. Portanto, ainda no território da Galiza integral se formaram variantes futuramente tidas como distinções "portuguesas". Podemos dizer, então, que, quando falamos de "português", trata-se da "variante portuguesa" (ou meridional) da "língua galega", porquanto esta já existia antes de a grande e brava nação lusa se constituir em Reino independente; logo, o idioma que se fez mais ao Norte, e deslocou-se posteriormente para o Sul é ineludivelmente o galego.

A língua portuguesa de hoje não é mais que uma variante sulista da língua galega de antanho; um co-dialeto, é certo, mas que também poderíamos chamar de galego-português infra-Douro, o qual, mesmo no território de Portugal, possui distinção com a variante de entre Minho e Douro, e ainda com o Mirandês, ao Nordeste [20].
No entanto, este não é o caminho ajeitado para tirarmos as conclusões. Não nos podemos deter em tecnicismos fonéticos, morfológicos, sintáticos, lexicais ou mesmo de entendimento mútuo [21]. Desde sempre pôde-se brandir exemplificações em defesa da proximidade ou da distância entre dois falares, no propósito de provar, para os interesses de quem organiza os argumentos, a partir do corpus elegido, que tratamos ou não de uma mesma língua. O livro de Edith Pimentel Pinto "O Português do Brasil" [22] arrola uma boa dezena de argumentos que poderiam municiar os "isolacionistas" de existir uma hipotética "língua brasileira" (ou até várias) conforme os interesses de quem financia os estudos. Já há desse tipo de artifício pela Galiza. Nas atas das "Primera y Segunda Asembleas Lusitano-Gallega", da Real Academia Gallega", ocorridas há trinta anos, há constância de que existem as palavras "pulpo" e "paquete" na Galiza, diferentemente do que em Portugal --ergo fala-se aqui uma língua distinta do português [23].

Nem vou perder tempo em comentar este "argumento". Também a língua castelhana já se bateu com dificuldades semelhantes, com a possibilidade de existir o "andaluz", o "chileno", de Andrés Bello, ou o "idioma nacional dos argentinos", de Luciano Abeille. O que é notável é a persistência dessa gente pouco detida em estudos paralelos, nesta inglória tentativa de afastar dois povos e uma língua na Europa Moderna. Necessário mesmo, nos dias de hoje, é a aproximação lingüística, cultural e econômica. Para isso, precisamos especificar a concepção de "dialeto" e de "língua", que estão tradicionalmente vinculados a ideais geográficos, quantitativos e políticos. Leite de Vasconcelos trata de dialecto (meridional), subdialecto (estremenho) e variedade (de Lisboa) sem medo de nomear a língua "principal", que, para ele, naturalmente, é o português [24]. O Brasil de 1897 percebeu possuir "variados elementos para se constituir, senão novo idioma, pelo menos importantíssimo dialeto" [25]. Ora, sabedores de que o tronco principal é a língua galega, não a portuguesa, podemos dizer que Portugal falava um dialeto do galego, e o Brasil Colônia um subdialeto do galego-português. No entanto, devido a razões de natureza sócio-política, à importância cultural da nação brasileira, no âmbito das nações modernas, e até mesmo à expressividade do número de falantes brasileiros; devido também à distância geográfica que separa os três países, Brasil de Portugal e Galiza, e às razões históricas já aludidas, não vejo dificuldade em afirmar que o Brasil fala galego. Um dialeto mediado por Portugal; naturalmente com diversas preferências lexicais ou fonéticas, que distingue, amplamente, mesmo no Brasil, um falante do Estado do Rio Grande do Norte de um falante do Estado do Rio Grande do Sul, mas não deixando de ser um "importantíssimo dialeto" --como diria Taunay-- ligado diretamente à língua troncal galega --não um subdialeto ou uma variedade, qualificações inconcebíveis, porquanto o Brasil comporta cerca de 80% dos perto de 200 milhões de falantes da língua galega distribuídos pelo mundo.

Além do argumento de destacar a verdade histórica, penso que podemos arrolar outros argumentos que creio serem interessantes, a partir de vários pontos de vista, que poderiam, de certa maneira, redimir, sociolingüísticamente, a histórica injustiça perpetrada contra o povo galego, devolvendo o rótulo de "galego" à nossa língua comum. Jamais poderíamos é admitir uma teoria que servisse tão-somente a interesses de impérios frustrados, interesses até justificáveis quando se busca, por exemplo, afastar dois povos em guerra perpétua através dos tempos, como os falantes de lugares como Sérvia e Croácia, que, igualmente por razões de Estado, por motivações de lutas efetivamente sérias (seja entre etnias, religiões ou comerciais), após a implosão da contigüidade de interesses, exacerbam diferenças de fala e de escrita.

E determinar o nome do idioma não era trabalho tão complexo ou controverso. Gabriel Alomar [26] opõe três distintos modos para denominar um idioma: por sua origem; ou por sua implantação em um estado soberano; ou por sua expansão territorial. Nessa perspectiva tripartida, a língua oficial da Espanha-Estado poder-se-ia denominar ou "castelhano", ou "espanhol", ou "hispano-americano", sem deixar de ser o mesmo idioma difundido pelo mundo. Contudo, salta aos olhos que a denominação originária, "língua castelhana", obedece a um caráter mais científico, porquanto, com admitir a segunda opção, inevitavelmente abrangeríamos, ampliando um equívoco, outras línguas também pertencentes à territorialidade espanhola (afinal o galego, o vasco e o catalão também são "línguas espanholas"); e, enfim, com a terceira hipótese, no conjunto da "expansão", perdemos outras vertentes das antigas conquistas do povo espanhol, como Filipinas ou Guiné-Equatorial, para ficar no paradigma castelhano. Além disso correríamos o risco de, mais uma vez, confundir os inevitáveis vários dialetos, nascidos do confronto de outras realidades culturais, com a língua matriz, considerando dialeto como sendo língua.

O critério da origem é, desde já, o mais acertado, portanto. Mas, por outro lado, é lógico que, ao dizer que o Brasil fala galego, não podemos esquecer a consideração histórica prestada ao idioma "português". Afinal, o que conhecemos hoje como "língua portuguesa" é assim considerado não apenas porque o povo galego foi esmagado politicamente pelo centralismo espanhol, mas complementariamente e sobretudo porque o povo português conquistou espaço na comunidade planetária, tanto literária como politicamente --espaço, aliás, dividido hoje com a presença do Brasil no concerto das nações de economia sólida, e com a literatura brasileira ganhando terreno; e brevemente espaço repartido com a pujante literatura galega, de Méndez Ferrín, de Suso de Toro, Manuel Rivas, Fernán-Vello e tantos outros.

Estas condições eram inexistentes até há bem pouco. Novamente cito Carvalho Calero [27], que assim comenta a consideração de algumas décadas atrás, de Leite de Vasconcelos, ao denominar o galego "codialeto do português":

"Tão evidente como que, para o grande filólogo português, o galego não se deriva do português, e portanto não pode chamar-se de dialeto seu, é o fato de que aquele autor reputa como insensata a doutrina dos galegos que olham ao português como um dialeto do galego, quando aquela língua possui uma importância cultural e política muito superior (). Um e outro seriam irmãos; mas de hierarquia social distinta." (Grifo nosso.)

Há que anotar que esta postura decerto foi abandonada pelo autor, posteriormente. Contudo, tal preconceito social caracterizando a língua e confundindo o idioma com consideração política da soberania de um povo, dificultou os estudos, e hoje provoca reação negativa por parte de alguns galeguistas, que se rebelam contra o ditado de nomearmos inadequadamente a língua como se fosse dialeto, recusando mesmo, alguns, o fato de possuirmos o mesmo instrumental de comunicação, em repúdio a esse maléfico, mas absolutamente normal (conquanto constructo histórico), vício de origem quanto aos estudos. As línguas, afinal, não são culpadas das vicissitudes por que passam os povos que as empregam. Fosse hoje Lisboa cidade da periferia de uma hipotética Grande Galiza, e não a ex-capital de um portentoso Império Transcontinental, embora já sendo este um fato pertencente ao passado, ninguém hesitaria em chamar "variedade lisboeta da língua galega" ao se referir à fala dos portugueses que foi o paradigma mundial por um bom tempo [28].

Língua, como se sabe, dispensa o governo e até o território nacional, podendo sobreviver apenas na tradição oral dos povos (as línguas indígenas do Brasil, v.g.), podendo ser recuperada integralmente na modalidade escrita, como o grego e o iídiche, por exemplo. Divulgada com mais eficiência, agora que a Galiza será tida como uma Comunidade Autônoma na União Européia, com território, povo, costumes, governo autonômico, idioma normativizando-se, pouco a pouco, não há por que não recuperar esta injustiça histórica, que o Rio do Esquecimento, situado geograficamente nas cercanias de onde nasceu nosso idioma comum, obnubilou por séculos a fio.

Dizer "o português no mundo" não é de forma alguma uma impostura, mas é sem dúvida uma imprecisão terminológica. Alguns galegos provavelmente desconsideram este rótulo de "galego" conferido à nossa língua comum, não exatamente devido ao "auto-ódio", mas sim com algum traço de eurocentrismo, uma vez que haveria preponderância dos dez milhões de habitantes de Portugal sobre os dois milhões e setecentos mil galegos --além obviamente da consideração universal da pujante literatura portuguesa camoniana e moderna, também contraposta à galega, que apenas desponta, enquanto o Brasil permanece obscurecido, numa imagem nebulosa e distorcida de samba, futebol e pobreza.

A idéia é de, rompendo este vício eurocentrista, natural mas nocivo a uma real integração cultural-lingüística (e também sócio-econômica), podermos iluminar as maiores razões de afirmar a língua galega presente no mundo. Concluindo este texto, após os parcos argumentos que alinhavei com imperícia, quero comentar ligeiramente acerca da possível reação dos implicados diretamente nesta necessidade política de decisão terminológica. Para os brasileiros, sei que seria muito natural admitir este fato histórico, trazido à tona recentemente com maior ênfase, de que falamos uma língua que não é realmente "portuguesa", mas um dialeto brasileiro da língua galega. Os argumentos seriam os mesmos que concluíram antigamente que falávamos a mesma língua dos portugueses. Se levarmos em conta o ideal da resistência natural aos antigos colonizadores, isto é, a inescusável necessidade de a ex-colônia repudiar politicamente a antiga Metrópole --não apenas um direito, mas um dever nacional, o que era mais expressivo até poucas décadas atrás com o Portugal-Império--, verificaremos ser bastante aceitável admitir que o Brasil, a seu modo, e com sua diversificada caracterização, fala o idioma galego [29].

Para os galegos, penso que admitir que "o Brasil fala galego", concedendo sem mais problemas o "rótulo", seria sobretudo retomar a bandeira de certo nacionalismo nobilitante, arrebatada das esquerdas pelas "novas direitas". É natural estarem os galegos confrontados com os interesses portugueses, após séculos vivendo "de costas viradas", em que Portugal apoiou, ao menos pela omissão, os interesses do império vizinho, seu semelhante, seu igual. É significativo o indício deste fato, retratado na Galiza, onde a imposição do espanholismo que ainda resta de índole franquista propicia que, espíritos menos iluminados, ao chamar alguém ou algo de "lusista", suponha agregar algum matiz pejorativo. Este obstáculo ao reintegracionismo lingüístico-cultural (e de consideração político-econômico) seria retirado.

Para o conjunto dos espanhóis devemos verificar os aspectos macro-econômicos, e considerar os novos momentos da integração pela via da União Européia, e no marco da cúpula ibero-americana clausurada em Santiago do Chile em 11 de novembro último. Os países do Mercosul terão acesso à Europa pela mão da Espanha e de Portugal. Inexiste entre os países ibéricos a animosidade de antanho. Em 1998 a Galiza e Lisboa estarão interligadas por autoestrada [30]. Os antigos impérios português e espanhol possuem agora inextricáveis interesses, estão indissociados, em marcha célere de rompimento de fronteiras, agora com interesses comuns de enfrentar o gigante americano [31]. Despovoa-se a Galiza rural, dando lugar a uma Comunidade urbana e internacionalista [32]. Decerto aceitarão com certa facilidade --inconcebível à Espanha do franquismo-- este viés galeguista. Jorge Urrutia apresenta de seu modo esta visão:

"La expansión de las lenguas minoritarias se acompañará del mejor conocimiento de la común si pedimos, a la vez, el estrechamiento de las relaciones culturales entre las distintas comunidades. El cultivo de la lengua común es el que puede difundir por el término con referencia sólo al número de hablantes de la lengua en la que se expresan. Tenemos que recomendar la enseñanza de las lenguas no sólo en las regiones que las hablan; es preciso un conocimiento mínimo de todas las lenguas de España por todos los españoles. Una medida políticamente difícil, pero posible." [33]

Claro que em Portugal temos a maior dificuldade: estão os portugueses na situação de Édipo, que, tendo conhecimento de haver matado seu "pai" lingüístico, nestes séculos de omissão, não poderão facilmente admitir este "pecado capital" e abrir mão do poder que detêm, no âmbito das nações planetárias. Como afirma o sociolinguista galego Celso Álvarez Cáccamo,


"nesta questão de Estado, não se luta efetivamente contra um estado sem implicar o outro no confronto. Por isso, aqui e agora, a resistência efectiva passa por articularmos uma submissão rebelde ao âmbito português, ao seu estado e à sua cultura: por ver-nos como uma florescente excrescência sua, não do Reino da Espanha nem da cultura espanhola. A resistência passa por criarmos novos vínculos transfronteiriços que vulnerem a lógica histórica da dominação espanhola; por impormos sobre Portugal (não sobre Espanha) a nossa diferença" [34]


Não é difícil prever que para atingir a meta da reintegração da Galiza com o espectro luso-afro-brasileiro, poder-se-ia voltar as costas momentaneamente a Portugal, abraçar mais o Brasil e ex-colônias portuguesas [35], abrindo mão do eurocentrismo, e rejeitando o reducionismo de siglas como PALOP, que possui índole nitidamente discriminatória.

Seja como for, a simples discussão, a crua polêmica acerca do nome da língua comum, não é um exercício vão: é benéfica por si só: leva à consciência de existir um fio de unificação lingüístico-cultural, que vem de longe; que procede dos celtas e se reúne com os índios tupis na América, por exemplo, ou com os bantos, na África. Não podemos desdenhar as razões históricas da ideologia segregacionista, que impede alguns de dizer abertamente que o cidadão galego fala a língua portuguesa, ou que muitas vezes força um brasileiro mais "revoltado" de admitir que fala "português". Porém podemos afirmar com plenitude que o cidadão brasileiro fala o galego --à sua maneira, obviamente. Não um galego da coiné perfeita galego-portuguesa dos cancioneiros, que este galego não existe mais, nem em Portugal, nem no Brasil ou mesmo na Galiza. Mas o galego das variedades potiguar, gaúcha, minhota, ferrolana. Não devemos aceitar é a manutenção deste consolidado erro terminológico secular pacificamente. Dizer galego, dizer português, dizer "portugalego" ou brasileiro é questão de somenos, mas de necessária discussão entre nós.

Para rematar, gostaria de mencionar Carlos Drummond de Andrade, o poeta maior brasileiro, que, em seu poema "Canção Amiga", musicado por Milton Nascimento, diz:

"Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo.
E saúdo velhos amigos."

Os portugueses não deixam de ser velhos amigos do povo brasileiro. No entanto, cabe resgatar os amigos galegos, que são amigos ainda mais originários (e não trazem consigo o travo da opressão imperialista), pelo fato de serem os geradores da língua nossa, hoje pertencente a muitos povos do mundo por igual --não importando que rótulo tenha, pelas razões maiores de Estado que advenham da dinâmica dos interesses dos Países e de seus cidadãos.


NOTAS E REFERÊNCIAS

1. Conhecida como "a doutrina do galego-português", propagada por Carolina Michaëlis.

2. Francisco Fernández Rei (1988). "Posición do Galego entre as linguas románicas".
In: Verba - Anuario Galego de Filoloxía. N. 15. Universidade de Santiago de Compostela. Vigo. pp. 79-107.

3. De fato, o Professor reelaborou este texto básico do isolacionismo galego, e deixou de lado esse "argumento", embora não o tenha substituído por outro melhor.

4. Colóquios sobre Otero Pedrayo. Faculdade de Filologia. Universidade de Santiago de Compostela. Outubro de 1996.


5. Vide também Isaac Alonso Estravís (1988). "Otero Pedrayo e Portugal". In: Nós - Revista Internacional Galaicoportuguesa de Cultura - n. 7. Pontevedra. pp.39-45.

6. Já Fernão de Oliveira, em sua Gramática da Língua Portuguesa, de 1536, refere-se ao "Cancioneiro Português", evitando mencionar o galego. Mesmo hodiernamente, diversos encontros cujo epicentro era a língua portuguesa, ainda que realizado com estudiosos conscientes da "questão galega", omitiam discussões que envolvessem temas tão prementes como a normativização da variedade nortista do "português europeu". (Vide, v.g., as Actas do I Simpósio Luso-Brasileiro de Língua Portuguesa Contemporânea. Coimbra. 1968.)

7. Camões, cuja origem familiar é galega, como se sabe.

8. Firmado por Sua Majestade o Rei, D. Juan Carlos I, e o Presidente do Governo de então, Leopoldo Calvo-Sotelo.

9. Orlando Ribeiro. A Formação de Portugal; ICLP; Lisboa. 1987. p.21.

10. Ver mais em Julio Cabrera Varela. La nación como discurso. El caso gallego (La estructura del sistema ideológico nacionalista: el caso gallego). Centro de Investigaciones Sociológicas. Siglo Veintiuno de España, s.a. 1992.

11. A Lusitânia foi "pacificada" pelas tropas de César em 61 a. C.

12. Ricardo Carballo Calero (1966). Gramática Elemental del Gallego Común. Galaxia. Vigo. 1979.

13. Revista Internacional Galaicoportuguesa de Cultura Nós. Abr 87/Dez 88. Pontevedra. 1988.

14. Cancionero de Joan de Airas de Santiago - Edición y Estudio. Verba, Anuario Galego de Filoloxía. Anexo 12. Universidade de Santiago de Compostela. Vigo. 1980. p.47.

15. Este livro, que encontrei em uma biblioteca particular em Chantada, é de autoria de "Pascuasio de Seguin (de la Compañia de Jesus)", e datado precisamente de 1. de dezembro de 1749. Reúne sete discursos "em favor" dos galegos, defendendo a lealdade destes perante a Coroa de Castela, inclusive ao lutar contra os portugueses que invadiam o território "espanhol". Isto demonstra a antigüidade das atitudes de intelectuais que buscaram afastar os povos galego e português, mesmo no século XVIII, que serão os precursores dos "isolacionistas" de hoje, num momento em que não há mais essa necessidade geopolítica de afastamento.



16. O idioma oficial, hoje, da Universidade de Santiago de Compostela, é o galego, uma diretriz presente no artigo 8.1 de seus Estatutos, aprovados no 22 de dezembro de 1993.

17. Contam os expertos que Shakespeare, que está "ausente" há menos tempo, se redivivo, pouco reconheceria do inglês falado atual.

18. A recorrente frase "A língua é companheira do Império", de Nebrija.

19. Lindley Cintra. Estudos de Dialectologia Portuguesa; Sá da Costa Editora. Lisboa; 1983. p. 53.

20. Lindley Cintra (op.cit.) pontifica: "A influência de Moçárabes no território português está documentada do século VII ao XII e do Algarve a Entre Douro e Minho. [A mais moderna e completa exposição do assunto (Moçárabes e Mouros) deve-se a M.Viegas Guerreiro, que utilizou e ampliou as notas de José Leite de Vasconcelos, em Etnografia Portuguesa, volume IV, etc.]".

21. Há dialetos, por exemplo, no interior do idioma alemão que não permitem o mútuo entendimento. E há mútuo entendimento entre os falantes de norueguês, danês e sueco, que utilizam línguas diversas. Cf. Ricardo Muñoz Martín; Língüística para traducir. Teide. Barcelona. 1995.

22. Textos Críticos e Teóricos - 1- 1820/1920- Fontes para a teoria e a história (EDUSP; 1978).

23. Américo Lopes de Oliveira. "Da Galiza e de Portugal - O galego e o português: Principaes diferenças Morfológicas entre ambas as línguas". Actas y Comunicaciones. Madrid; Editora Nacional. 1967.

24. Mapa Dialectológico do Continente Português; Lisboa; 1897. p.16.

25. Visconde de Taunay. "O português de Portugal e o do Brasil". In: PINTO, Edith Pimentel. Op. cit.

26. Escritor e político espanhol (1873-1941). Cit. in: Castilla Libre. Boletín del Movimiento Popular Castellano. N. 06. Salamanca. p.17.

27. Ricardo Carballo Calero. Ibidem.

28. É interessante anotar que a norma empregada hoje na ONU e na UNESCO para o idioma português é a brasileira, encaminhada pelo Palácio do Itamarati.

29. O português Agostinho dos Santos, em um livro intitulado Vida Conversável (p.52), acredita que "Portugal tratou o Brasil muito bem quando foi colônia e, se não tivessem sido os portugueses, o Brasil não se teria constituído". Este ponto de vista, que é o oficial na pátria de Camões, obscurece o extermínio de milhões de indígenas, a arrecadação de toneladas de ouro e outros minerais preciosos das "minas gerais", e, inclusive, a devastação de florestas inteiras, praticamente eliminando das terras brasileiras o próprio pau-brasil,a árvore que teria emprestado o nome ao País --dado seu consumo intenso na Europa, nos primeiros séculos da colonização.

30. Cf. o jornal O Correo Galego, de 7 de março de 1996; p. 9.

31. Também esta idéia não é recente. A União Ibérica de 1580-1640, com recuperação da soberania portuguesa reconhecida pela Espanha em 1688, vem sendo continuamente lapidada.

32. Manuel María. "A morte da parroquia rural na Galicia tradicional". In: El Correo Gallego, de 25 de setembro de 1996.

33. "Cuatro lenguas para la Literatura Española". (Capítulo 6.) Cuadernos de Comunicación - 2. Universidad de Sevilla. 1989.)

34. "Pátria e Língua, por última vez". In: A Nosa Terra, 25 de julho de 1996. N. 736. p. 27.

35. Diz Xosé Manuel Sarille: "Tanto no Projeto do Arco Atlântico como no do Eixo (e o projeto Galiza-Norte de Portugal), desenvolvem-se idéias e linhas de atuação no campo econômico e social e sempre se deixa a jeito de coletilha um ponto 'cultural' que não se sabe em que consiste e que no caso do Eixo fala só de patrimônio monumental." ("Os intelectuais galegos, Portugal e Brasil." In: Luzes de Galiza. N. 25. Verão, 1994. Edicións do Castro. Santiago de Compostela).

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

José Manuel Beiras Torrado recebe o Prémio Trasalba

José Manuel Beiras Torrado acaba de receber o importante Prémio Trasalba em que quixo homenagear a grande figura de Outeiro Pedraio.

O encarregado de realizar o laudatio foi o presidente da Real Academia Galega e presidente de honra da Fundaçom Outeiro Pedraio, José Ramom Barreiro Fernandes, quem incidiu na importáncia da achega de Beiras ao mundo cultural, intelectual e político galego. Na casa grande de Cima-de-Vila da paróquia de Trasalba, em Amoeiro, umha nutrida representaçom da cultura galega expressou o seu reconhecimento ao político, ensaísta e catedrático de economia, José Manuel Beiras, quem agradeceu o prémio com um discurso brilhante.

Com motivo desta cita, a Fundaçom Outeiro Pedraio entrega um livro homenage à figura homenageada que, desta volta, leva por título "Xosé Manuel Beiras. Compromiso coa Terra". Este galardom foi instituído hai já 26 anos e, neste tempo, fôron reconhecidos Isaac Dias Pardo, José Neira Vilas ou José Luís Mendes Ferrim, entre outros.

Discurso de José Manuel Beiras:

http://www.encontroirmandinho.org/pdf/discurso%20trasalba%2009.pdf

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Da tractorada a greve geral.

A dignidade tem muitas formas de ser expressada, mas é sempre a nobreza de coraçons bons e generosos. A dignidade foi no seu dia um sapato petando num parlamento de cartom. Foi a utopia da Comuna de Paris, a luita dos zapatistas, a dos camponeses sem terra do Brasil, a dos mineiros na guerra do gas de Bolívia, etc.
Tamém Outeiro Pedraio se erguera numha conferencia em que os falangista cantavam o "cara el sol". Calou o chapeu, meteu as maos nos petos e saiu no mais valetente e digno dos gestos. A dignidade nos petos. Hoje a dignidade ia em protestos. Em protestos de trabalhadoras e trabalhadores que de sol a sol labouram a reo para poder sobreviver, para que os seus tenham o melhor, e um filho de trabalhadores do agro nom pudo mais que sorrir ao ver seiscentos tractores ateigando as ruas compostelanas e sabendo que em Chantada tamém era secundada a acçom do Sindicato Labrego Galego (SLG). Do rural volve essa dignidade nunca apagada após séculos batendo em nós com trabucos, foros, loitosas... ou com umha regra batendo nas unlhas por falar a "língua proletária do meu povo"; e, sobretodo, malhárom-nos com a calamidade da emigraçom.
A este povo golpeado de dia para dia polos que nom vem mais ca as suas medras em Madrid e em Bruselas ainda lhe restam folgos e dignidade, umha dignidade ancestral e secular que se manifesta ciclicamente: o metal, a educaçom com o infame desleixo ao galego, o naval, a cultura ameaçada e a RTVG convertida em deus sabe que... e o agro, sempre o agro, máxima expressom do etnocídio que alguns querem perpretar para com a Galiza, velha ferida sangrante e inconfundível manifestaçom das "delícias" do macabro livre mercado da Europa dos estados. "Antes moro que gallego" dizia o Lope de Vega, será polo bem que sempre nos tratárom os de fora; "pobre Galiza, nunca deveras chamar-te espanhola" refungava a nossa Rosalia de Castro, chama viva dos laios dum povo ferido, mas nom afundido que erguera em Carral as suas primeiras vozes do ressurgir.
Alguns querem que sejamos sempre colónia, desmantelar os nossos tezidos produtivos e usurpar o nosso ar, os nossos rios e montes, a costa, a flora e a fauna... mas a dignidade quando prende nos coraçons é um facho que sobranceia além da morralha e dos que só desejam ascender coma o dom Celidónio de Vicente Risco: "de porco a marrao, e a parenta inchou o fol". "Ti dis que Galiza é bem pequena, eu digo-che que Galiza é um mundo", avante com a luita gandeira até acadar um preço mínimo por cima dos 40 céntimos; e que dumha vez os sindicatos respondam ao que os trabalhadores necessitam: a greve geral.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Massacre em Bagua (Perú)

Estas som acçons de tiranos fascistas denominados como "demócratas" em Ocidente. Vejam o que empresas como Repsol fam para medrar e seguir agigantando os seus marges comerciais. O problema é o capitalismo.

" O que nom se decata é um imbécil.
O que se decata, e nom actúa, é um criminal",
Bertolt Brecht.

Eis o aterrador documento:

http://www.youtube.com/watch?v=rG7rHB1nnOw

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La vida no vale nada cuando
otros se están matando
y yo sigo aquí cantando
cual si no pasara nada.

La vida no vale nada
si se sorprende a mi hermano
cuando supe de antemano
lo que se le preparaba.

La vida no vale nada
si cuatro caen por minuto
y al final por el abuso
se decide la jornada.

Pablo Milanés - la vida no vale nada



Certo jovem amigo pediu-me que escreva umhas linhas, explicando o meu ponto de vista, mas que nom seja "tam radical".

Lamento nom poder complazê-lo: se defender a vida, a natureza e a paz é ser radical, pois eu som RADICAL, incorregivelmente radical, terrivelmente radical.

Ante a matança dos meus irmaos amazónicos, perante o pacto infame assinado pola imprensa convencional e os grupos de poder, perante a difamaçom e a perseguiçom dos líderes sociais, a única saída é botar-se às ruas e expressar o nosso total regeitamento perante estes feitos, abertamente, sem esconder-se em letras ou papel virtual.

SAÍR ÀS RUAS E PROTESTAR NOM É SER RADICAL, É SER HUMANO

Na Amazónia peruana vivem, desde fai milénios, 1509 comunidades nativas, que controlam por volta de 10 milhons de hectáreas. Sem contar aos grupos chamados nom contactados, que por decisom própria e logo do genocídio cauchero (finais do S.XIX), vivem afastados de todo contacto occidental.

Ademais, conta com áreas naturais protegidas polas leis nacionais e internacionais, tomando em cuenta que som umha garantia para o frágil equilíbrio ecológico da terra.

O desenvolvimento sustentável, conceito usado polos governos decentes para umha responsável e racional exploraçom de recursos, brilha pola sua ausência.

Lamentavelmente, con um errado conceito de progresso, existem superposiçons flagrantes entre os territórios das comunidades, as áreas naturais intangíveis e os lotes de hidrocarburos, concesons mineiras, florestas de produçom permanente e concesons forestais.

Estas superposiçons atentam:

- Contra a Declaraçom da ONU sobre os direitos dos povos indígenas, em quase todos os seus artículos. Mais información,

- Contra o convénio 169 da OIT , que exige uméa consulta prévia às comunidades amazónicas. Prévia a qualquer plano de lotizaçom. As leis internacionais superam às nacionais em qualquier república que se précie de democrática.

- as leis peruanas, que indicam a intangibilidade do território das comunidades amazónicas. Porém o estado, dono dos recursos do subsolo, pretende fazer valer os seus intereses, apagando os dereitos dos seus próprios cidadaos.

- a lei de povos indígenas em isolamento que garantiza a protecçom dos seus territórios . No entanto, tem sido alterado no seu artículo 5, para favorecer a exploraçom de recursos, vulnerar a sua protecçom e condená-los à extinçom.

O Estado peruano, numha atitude delirante, em vez de corregir os seus errores, promulgou diversas leis, com a excussa de ajeitar-se legalmente à execuçom do TCL com os EUA, todas elas vejatórias para as normas legais nacionais e internacionais arriba mencionadas.

Quiçais este mapa, com a selva lotizada para exploraçom de Hidrocarburos, feita violando a lei , ignorando às comunidades amazónicas e mutilando as reservas naturais, poda explicar esse eufemismo usado até o aborrecemento polo criminal Alan García, para justificar o seu insano proceder: "la selva es de todos los peruanos". Na verdade, querem que a floresta seja destas empresas:

Petrobras, Barret, Burlington, Pluspetrol, Ramshorn, Oxy, Nocol, Repsol, Hess, Loon, Sapet, Hunt Oil, Pan Andean y True energy.



Ante esta situaçom, e num feito histórico, as comunidades amazónicas deixárom de lado as suas diferenças ancestrais e unírom-se, numha frente que tivo aos Apus Pizango e Manuin como os seus principais líderes, exigindo de diversas formas a derogatória dessas leis e o respeito aos seus dereitos.

Ante a desídia do governo, nos últimos meses vírom-se obrigados a radicalizar as suas medidas, tomando estradas, mas sempre dispostos ao diálogo.

O 5 de Junho, Pizango encontrava-se em Lima, dialogando. Manuin ficara em Bagua.

O governo respondeu com balas, francotiradores e matança: hoje Pizango encontra-se exilado e Manuin agonizante, caído por 8 balas.

Os mortos, por sua parte, dos amazónicos, segundo cifras cuatelosas, sumam mais de 50, outros falam de centenares. O estado falava, até fai pouco, de só TRÊS.

Bagua tem sido declarada em estado de sítio, e apenas se permitiu o acesso da imprensa horas despois da massacre. Porém as images falam, os deudos reclamam aos seus finados, desaparecidos, queimados, botados a rio, como nos oitentas, quando Alan García era tamém presidente.
Enquanto em Lima, a imprensa só dá conta de 30 polécas mortos, alguns com feridas de bala, no meio da massacre e o assobalhamento. Moitos fôrom como carne de canom, abandonados por um governo assassino. Sospeitosamente, nom deixárom aos deudos revisar os cadáveres. En efeito, as poucas images que sobrevivírom à censura, mostram a francotiradores das forças armadas baleando nos teitos, mas nom mostram a nengum amazónico disparando.

A imprensa convencional informa que a Defensora do Puevo acudiu a Bagua, perante umha denúncia do achádego de fosas comuns, e nom atopou rem, regressou ipso facto. Esse proceder, com desconhecimento total de todo método e técnica para actuar em caso de denúncias de desapariçons, só fai corroborar o falaz circo montado polo governo e os seus cúmplices.


TODA MUERTE DEBE DOLER EN EL ALMA,
PERO DUELE MAS
CUANDO EL QUE ORDENO DISPARAR,
SIGUE EN EL PODER

Em Lima, a imprensa alineada com o governo e os grupos de poder teima em negar o evidente, em culpar aos que fôron sempre ignorados e acribilhados, em difundir delirantes teorias de conspiraçom internacional, com os novos "cucos" de moda. Em alguns casos, os jornalistas convertêrom-se em panfleteiros de pasquim neonazi. Outros preferem o sentir da auga tíbia, mantenhem-se imparciais, como a classe meia na Weimar de 1930.

Porém, mui a pesar deles, os grémios profissionais, o estudantado, os sindicatos, os grupos ambientalistas, os colectivos de dereitos humanos, e os homes comuns, sem importar raça, credo, idioma, classe social e posiçom política, estám reaccionando, em todo o Perú.

O 11 será a primeira marcha colectiva massiva. Nom existe medo, nom é a primeira vez que o povo peruano sai: marchou contra Morales Bermúdez, contra o mesmo Alan García, contra Sendero Luminoso, contra Fujimori e Montesinos.

O peruano é um home de paz, e estas marchas serám em nombre da paz: é a única saída ética e moral que nos resta, os que estamos aqui e que temos o previlégio de aceder a tecnologias de comunicaçom,devemos de lembrar que somos de carne e osso, que temos tamém voz, alma e berro, que nom podemos ficar sentados como se nom passara nada, como di a trova de Milanés.

Alan García deu voltas coma umha vuxaina e quere agora, emendar o seu erro, mas apenas som medidas de maquilhage, sem nengum sentimento verdadeiro de culpa, nem de emenda.

A vida vale menos que o petróleo? Para o Alan García, si.

As minhas infinitas GRAÇAS aos irmaos de outros países que figérom correr a nova de esta tragédia. Pedo-lhes por favor que insistam, que este crime nom fique impune, que colaborem para que a justiça triunfe.

Traduzido por nós desde o castelhano desde http://trovadorsinsuerte.blogspot.com/

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

A NOSSA CANDIDATURA É A DO BNG MAS OPONHEMO-NOS À EXCLUSSOM ELEITORAL DE INICIATIVA INTERNACIONALISTA

Da web do Encontro Irmandiño:

O Encontro Irmandinho considera que o tempo vem dar a razom ao BNG quando se opuxo à Lei de Partidos Políticos.

O Encontro Irmandinho manifesta o seu regeitamento a que se impeda apresentar-se às Eleiçons ao Parlamento Europeu à candidatura Iniciativa Internacionalista - A Solidariedade entre os povos encabeçada polo antifranquista dramaturgo madrileno Alfonso Sastre. O Encontro Irmandinho considera que o tempo vem dar a razom ao BNG quando se opuxo à Lei de Partidos Políticos. Nom é compatível com um estado democrático a privaçom do direito de sufrágio a quem nom está pessoalmente condenado por sentência judicial firme. A exclussom de milheiros de cidadaos e cidadás, impedendo-lhes o exercício do direito universal ao sufrágio livre, directo e segreto, cria de facto um gulag político que os demócratas estamos obrigados a condenar. Em conseqüência o Encontro Irmandinho, por mais que nom nos afecte directamente, pois a nossa candidatura é a do BNG com já indicamos acima, mostra a sua oposiçom à exclussom eleitoral de Iniciativa Internacionalista, e quer expressar a sua solidariedade com as pessoas que conformam esta Candidatura.

Umha aperta irmandinha e avante na luita por umha Europa mais justa, solidária e dos povos!

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

OS FACTOS DESMENTEM AOS QUE INTOXICÁROM


OS RESPONSÁBEIS DA DERROTA DO 1 DE MARÇO, A UPG E O QUINTANISMO, SÓS, NA EXECUTIVA NACIONAL.

OS FACTOS DESMENTEM AOS QUE INTOXICÁROM A ASSEMBLEIA ASSEGURANDO QUE HAVIA UM PACTO SEGRETO ENTRE A UPG E O ENCONTRO IRMANDINHO.

O Encontro Irmandinho nom participou en apanhos, ao nom conseguir umha candidatura de integraçom que respeitasse a pluralidade e proporcionalidade reflectida nos votos da assembleia para o conselho nacional e fica fora da executiva pola negativa de Aymerich a conformar umha listage única de integraçom, caso único na histótia do BNG.

O número de militantes que participárom no processo assemblear que Aymerich e Vazques qualificárom como "récorde" histórico, foi em efeito moi alto se o referimos às votaçons para eligir delegados.


+ info em:

http://encontroirmandinho.org/

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Friage mental: as armas químicas e biologicas do Império. A Constipaçom A como fonte de lucro para as farmaceúticas

Agora que vem o verao dá-nos por ceivar friages e entrar em psicoses colectivas com a constipaçom dos cochos ceivada por marraos de gravata [1]. Caminhamos de dia para dia para um mundo com umha nova linguage, a farisaica linguage dos eufemismos. Já Vicente Romano enxergou bem qual é o horizonte desta nova neo-língua em terminologia orwelliana:
«El lenguaje importa, y cómo lo utilizan los medios. Si se puede violentar al público (de populicus, pueblo) de que el Estado tiene razón, esto es, si se le puede persuadir hasta el punto de que se identifique con los significados oficiales, se le puede movilizar para que apoye y acepte la transferencia de fondos del wellfare (bienestar) a la seguridad y al warfare (guerra), equivalente al eslogan nazi de mantequilla por cañones»[2].

A direcçom, já que logo, é clara e os métodos para acadar estes resultados variados e, maioritariamente, subtis e para nada inocentes. O conhecido como Esfriamento A ou Constipaçom A e assi conhecida por nom chamar-lhe Constipaçom norteamericana, posto que é alô onde se gera e nom em México como alguns tentárom fazer-nos acreditar através da intoxicaçom mediática dos meios de incomunicaçom[3]. Daquela, começamos a alviscar onde é que verdadeiramente se fam as armas químicas que nos diziam que estavam no Iraque e para que servem, para o lucro dos assassinos que inventárom o mesmíssimo 11-S, cada vez mais demonstrado.

1.1.- A orige do vírus e os antecedentes delectivos do Império
A Constipaçom A nom vai além de ser a fabricaçom dumha psicose social a nível planetário com o único objectivo de preencher o peto das multinacionais farmaceúticas. O laboratório Gilead Sciencies Inc é o grande beneficiário desta nova «pandémia» que apenas existe na cabeça daqueles que desejem acreditar nela. A companhia Gilead Sciencies Inc é a que tem a patente do medicamento Tamiflu, o único que está respondendo bem perante o novo vírus e que já tirara marges milionárias com a Constipaçom aviar sendo o Estado espanhol um desses compradores (retrovirales que ateigam aramazens e que para nada fôrom empregados porque a Constipaçom aviar nom passou de ser um esfriamento mais).
Se um vai aos dados e coteja as mortes que todos os anos se produzem polo vírus do esfriamento, os habituais, decatará-se nom sem surpresa que som maiores as que se produzírom quando da Constipaçom aviar e muito provavelmente serám muito maiores às que produza esta supostamente letal e terrível Constipaçom A, que segundo os «espertos» atingira neste ano a 40% dos europeus, com as conseguintes vendas do Tamiflu, chama-lhe burro ao cavalo.
O cavalo neste caso é Donal Rumsfeld directivo e proprietário desde fai mais de vinte anos da única companhia que tem a patente do medicamento que milagrosamente responde ao novo vírus, o já mencionado Tamiflu. O mesmo Donald Rumsfeld que nos convenceu no seu passo pola administraçom Bush de que Sadam Husseim tinha perigosíssimas armas de destruiçom massiva... Um novo pretexto para a guerra imperialista como o foi o Mayne em 1898, o Lousiana na Grande Guerra, Pearl Harbor na II Guerra Mundial ou o inventado ataque da baía de Tonquim na Guerra do Vietname.
As perguntas que surdem da Constipaçom A som várias: qual é a sua orige? Quem se beneficia dela? Que é o que os média sob o controle do Império nos permitem saber e que é o que ocultam? Para Lori Price (na web Globalresearch.ca) é muito provável que o esfriamento partisse de laboratórios militares americanos dos EUA num intre mui oportuno, justo quando as novas das torturas perpretadas pola CIA estavam ameaçando a «respectavilíssimas» figuras da administraçom Bush que endejamais serám julgadas como é devido, ou seja, coma criminais de guerra. Ainda vai resultar que o ditoso marrao causante da pandémia (o que lhe pegou a febre amarela ao suposto paciente cero – umha criança-), que segue sem aparecer, vai ser um outro dom Celidónio coma o de O porco de pé (1928) de Vicente Risco
Fai agora um ano o ministro de saúde indonésio publicava É tempo de que mude o mundo: maos divinas detrás da constipaçom aviar, pouco despois de que este país lhe entregasse umha mostra do vírus à Organizaçom Mundial da Saúde (OMS) e com a qual um investigador da biodefesa indonésia teimava em que na base ianque de Los Álamos já estavam a fazer as primeiras manipulaçons do mesmo, como recolhe Lori Price.
Donald Rumsfeld nom teria que esforçar-se demasiado para que os média entrassem no seu jogo e convençam ao mundo do gravíssimo desta nova epidémia, quantas vezes falam os média das faraceúticas? Nunca se nos di como é que se provam os medicamentos no Terceiro Mundo para acelerar a sua comercializaçom e saltar-se os prazos que marcam as legislaçons dos países do Primeiro Mundo.
Ralph Schoenman, produtor dum programa de rádio dumha emissora noviorquina, apontou, numha entrevista concedida a Fernando Velázquez, que os laboratórios militares ianques aperfeiçoaram a produçom de armas químicas e biológicas com as cepas de vírus que o nosso sistema imunitário nom pode combater. Logo, estas enfermidades ceivam-se em qualquer parte do mundo, nomeadamente na África, para compreender a sua reacçom in situ e logo podê-las empregar em qualquer momento. No livro Clouds of secrety o professor de Saúde Pública, Leonard Cole, lembra-nos como por mais de quarenta anos o Pentágono espargeu nos próprios EUA bilions de bacilos I e que umha das conseqüências foi um incremento do 10% da meningite de espinha dorsal na baía de Sam Francisco.
Pola sua banda, William Bloom descreve no seu livro Matando a esperança como em 1971 a CIA lhe entregou a terroristas cubanos umha cepa do vírus que causa a febre porcina africana para que o introduzissem em Cuba e Fidel Castro deixa bem claro que «o noso país foi obxecto da máis prolongada guerra económica da historia, e dunha incesante e feroz campaña de terrorismo que dura xa máis de 45 anos. Comezaron a enviar avións que bombardeaban con materiais incendarios as plantacións de cana»[4]. Tamém foca Fidel Castro o episódio que relata William Bloom:
«Baixo a presidencia de Nixon, en 1971, introduciuse en Cuba – segundo unha fonte da CIA mediante un contedor- o virus da peste procina. E tivemos que sacrificar máis de medio millón de porcos. Este virus de orixe africana era totalmente descoñecido na illa. Introducírono dúas veces.
E houbo algo peor: o virus tipo II do dengue, que produce febres hemorráxicas frecuentemente mortais para o ser humano. Iso aconteceu en 1981. Máis de 350 mil persoas resultaron contaminadas, das cales morreron 158, entre elas 101 nenos. Ese serotipo de virus era entón completamente descoñecido no mundo. Fora creado en laboratorio. Un dirixente da organización terrorista Omega 7, con base en Florida, recoñeceu en 1984 que eles introduciran ese virus mortal en Cuba con intención de causar o maior número posible de vítimas. E non lle falo dos atentados contra nós»[5].

Nom é daquela nengumha novidade o proceder do Império em contuberno com as empresas multinacionais que o sustentam, porque por trás do trono agocha-se o verdadeiro poder na sombra. Os intrigantes sem escrúpulos coma Chenney que se fixo de ouro na Guerra do Iraque como directivo de Haliburton, empresas que, umha vez esgotado o pastel do Iraque, se vam para o Afganistám, enquanto Obama apresenta isso como umha grande acçom progressista, bendito progressismo o seu. Fernando Velázquez revela que documentos desclassificados dos anos 1956 e 1958 continham as provas da existência de experimentos com insectos na Florida e em Geórgia para o seu uso como armas químicas. Em 1969 mais de cincocentos alunos saírom com um grau em cursos sobre guerra epidemiológica na escola química do exército em Fort McClellan na Alabama.

2.2.- Os beneficiários. A saúde e a ciência seqüestradas polo capital-especulador
Vejamos agora quem som os beneficiários da venda de milhons de doses por todo o globo terráqueo nesta maravilhosa globalizaçom capitalista onde a notícia se fabrica e a indecência moral dos ricaços nom se detém em barreira algumha. Indica Fernando Velázquez como já se vê a enfermidade como a segunda grande fonte de ingressos após o petróleo e como entre 2006 e 2007 as multinacionais obtivérom enormes benefícios desamalhoando umha terrível psicose em Europa e Ásia. Hogano a cousa já é mundial e o negócio deveria ser ainda maior.
Gilead Sciences Inc e Roche – grupo farmacêutico suíço- já fretam as maos perante as mais que previsíveis ganáncias milionárias que tirarám a conta da alienada populaçom mundial. A legislaçom sobre patentes, supostamente para favorecer a investigaçom e o progresso da ciência – privada por suposto, como todo no neoliberalismo capitalista- é umha lei criminal e imoral sustentada polos estados do Primeiro Mundo. Lembre-se que tanto Obama coma o seu oponente recebêrom quantidades ingentes de dinheiro para as suas campanhas eleitorais de maos das farmacêuticas.
Sabe-se que o Instituto de Patologia das Forças Armadas ianques possuem o genoma da Constipaçom espanhola (que nom surgiu no Estado espanhol, mas que tivera aqui os seus piores efeitos)[6]. Esta cepa (H1N1) compartilha-o todo com o vírus aviar e porcino, variantes do mesmo e pertencentes à família do Orthomyxoviridae e, portanto, a constipaçom espanhola, aviar e porcina som mutaçons do H1N1, extinto até os anos setenta do século XX. Na Suíça o grupo Roche, com sé em Basileia, anunciou que já dispom de três milhons de doses para vender do seu produto Oseltamivir, o seu particular Tamiflu, recomendado curiosamente pola OMS e já empregado contra a Contipaçom aviar. Em que pouco tempo se pugérom maos à obra quando o Estado espanhol reconhecia que se necessitariam meses para preparar umha vacina contra o vírus (um outro negócio a posteriori)!
Agora resulta que o «velho» Oseltamivir é tamém eficaz contra o «novíssimo» vírus da «influenza porcina», do tipo A/H1N1, de aí o nome de Esfriamento A. Porém, por sua parte, o Oseltamivir que recomenda a OMS fora desenvolvido por Gilead Sciences Inc presidida entre 1997 e 2001 por Donal Rumsfeld, o que logo foi ministro de Defesa de George W. Bush, e que segue sendo um importante accionista da corporaçom, que viu inçar a sua cotizaçom no mercado bursátil com a apariçom do vírus. Por isso, desde o começo aparecêrom artigos que punham o acento sobre as responsabilidades que Gilead tem nesta pandémia de laboratório.
No entanto, existem espaços na rede que descrevem as componhentes do Tamiflu e o seu modo de fabricaçom só que fazê-lo seria ilegal e as multinacionais nom estám por donar a patente ao mundo por muitas vidas que haja em jogo se a pressom popular nom obriga aos governos a tomar medidas no assunto. O Tamiflu compom-se de ácido siquímico tirado da vaina da planta com a que se fai o anis escarchado, componhente tamém presente numha planta mui abundante em América: a do liquidambar. Com esta nova vaga Roche e Gilead Sciencies Inc ganharám novamente somas ingentes de quartos que se acrescentam as já tiradas em 2005 com a Contipaçom Aviar, um negócio redondo e com mui pouco risco de capital.
Porém, o governo da Índia deu luz verde à sintetizaçom do Oseltamivir (o Tamiflu genérico) e o seu custo é inferior à metade do original, por enquanto Argentina e Tailándia analisavam medidas similares. Pola sua banda, o governo mexicano advertiu que nengumha vacina é ainda eficaz e ofecereceu um milhom de pesos ao investigador que desenvolva um. Assi de singelo resulta enganar-nos se na televisom se nos repete umha e outra vez a mesma cantinela e um pergunta-se até onde é que se rirám de nós os membros da ditadura da burguesia mundial, conhecida como «democracia» no século dos eufemismos.
Taunbenberger (veja-se a nota rodapé nº6) comparou o vírus H1N1 da constipaçom tradicional com o vírus de 1918, o da Constipaçom espanhola, e descubriu que apenas mudavam 25 ou 30 aminoácidos dos 4.400 que componhem o vírus tradicional, com o qual som escassas as mudanças necessárias para fazer mortal o H1N1 da constipaçom tradicional e, daquela, resulta umha arma biológica barata e doada de produzir. A privatizaçom e mercantilizaçom do conhecimento fai que a ciência perda qualquer lanho de ética ou humanidade, pondo-se em exclusiva ao serviço do capital, esta é a grande vantage do modelo educativo usamericano que agora Europa incorporará de cheio com o Plano Bolonha.

2.3.- Outras mentiras e manipulaçons: a importáncia da linguage e dos média na propagaçom da psicose colectiva
Logo estám os média altifalantes da linguage corrupta do poder e os seus beneficiários. Varias organizaçons, como a Organizaçom Internacional da Saúde Animal, já indicárom que o vírus ainda nom foi isolado em animais e que, portanto, nom tem nengum sentido apor-lhe o adjectivo «porcina», reclamando que se lhe chamasse «norteamericana» como a de 1918 se lhe chamou espanhola. Mas, como para o chauvinismo ianque isto é inaceitável, optárom por recorrer a denominaçom, já inhantes explicada, Constipaçom A, a qual foi justificada pola OMS posto que cada vez era mais humana e menos animal, como reconhecia o seu porta-voz Dick Thomson.
Contodo, cumpre aclarar que a «gripe española» nom foi tal e que daquela recebeu esse nome porque a imprensa do Estado espanhol lhe prestara muita mais atençom que os outros países involucrados na Grande Guerra (1914-1919). Mais umha vez o vírus nascera, como já indicamos (na nota a rodapé nº6), nos EUA, quiçais nom fora por acaso que o figesse num contingente de soldados destinados ao frente europeu. A Constipaçom aviar ou asiática tamém recebeu umha denominaçom geográfica, mas esta nom semelha que seja conhecida por Constipaçom norteamericana, denominaçom em todo caso enganosa por serem Canadá, México e os EUA membros da América do Norte.
A psicose aumenta dia-a-dia e a matança de milheiros de porcos polo governo egípcio já provocou os primeiros distúrbios ameaçando-se de passo a já escassa segurança e soberania alimentar dos povos mediante a ruína de pequenos camponeses que vem como ora as suas aves, ora os seus marraos devem ser sacrificados, qual espécie será a seguinte em cair e como as grandes multinacionais alimentarias tirarám partido disto?
A Galiza toca-lhe a lotaria. O sector vacum ao bordo da quebra e sem perspectivas de poder fazer frente ao fim do sistema de quotas do leite e agora mui previsivelmente irám-se ao tacho as pequenas granjas de porcino, para ledícia de empresas – que nom cooperativas como alguns lhe chamam- como Coren. Ao mesmo tempo os estados endividarám-se um pouco mais pola psicose que pode colapsar o sistema sanitário e provocar um incremento espectacular da venda de fármacos que financiarám novas atrocidades do Império e os seus sequazes, quando Galiza abrirás os olhos?

Este modelo nom serve, independência e socialismo! Nós Sós!

[1] A fonte principal deste artigo é Fernando Velázquez (30-4-2009): «¿Manipulación? Muchas cosas sospechosas en esta crisis sanitaria». Fernando Velázquez é um venezolano que pertence ao colectivo de jornalistas Pueblos.
[2] Vicente Romano (2008), La intoxicación lingüística. El uso perverso de la lengua, p. 47 (disponível na Internet).
[3] Entom chamou-se-lhe Constipaçom porcina, nome que parece se trocou por Constipaçom A por pressons de numerosos organismos que se resistiam a que a epidémia recebe-se um nome que nada tinha a ver com a sua verdadeira orige, já que se transmite entre humanos e nom do porco ao home. Contodo, o mercado mundial do marrao viu-se seriamente afectado, sendo o Estado espanhol um dos mais afectados com a caída de 80% do volume de mercado, perante 40% do próprio México e 30% de Venezuela, segundo dados de Alberto Cudemos, presidente de Feporcina, organizaçom venezolana. Ainda vai ser que somos o estado mais facilmente alienável e manipulável, para quando a carauta e a queima da casa dos afectados coma na Idade Média?
[4] Ignácio Ramonet (2007), Fidel Castro. A miña vida. Conversas con Ignacio Ramonet, Xerais, Vigo, p. 229
[5] Op. cit. pp. 230-231. Entre 1979 e 1981 quatro pragas atacárom a ilha: a conjuntivite hemorrágica, o dengue, a rolha da canha do açucre e o mofo azul do tabaco.
[6] Em 2004 e 2005 aparecêrom, na revista Science entre outras, polémicos artigos em que se indicava a descoberta do genoma completo do vírus da gripe espanhola através de afectados que se exumárom – já sabemos para quê-. Entre eles figuram científicos como Jeffery K. Taunbenberger, Ann H. Reid, Raina M. Lourens, Ruixue Wang, Guozhong Jin e Thomas G. Fanning. Segundo o número 121 de La Aventura de la Historia indica-se que a «gripe española» matou a 40.000.000 milhons de pessoas no mundo, 300.000 no Estado espanhol, e que esta surdira em Kansas em Março de 1918 entre os soldados do exército norteamericano que aguardavam (por acaso?) a sua passagem a Europa para combater na Grande Guerra. A revista oferecia estes dados e reconhecendo que nos últimos tempos se desenterraram falecidos para reviver em laboratórios o vírus, supostamente para combater o vírus da gripe aviar e que umha equipa de investigadores londinenses exumárom ao aristócrata Sir Mark Sykes (falecido em 1919) posto que ao ser soterrado num cadaleito de chumbo podia conservar à perfeiçom o ADN do vírus e assi «desarrollar fármacos más eficaces frente una hipotética nueva pandemia». O número é o correspondente a Novembro de 2008.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Operação Sarkozy: Como a CIA colocou um dos seus agentes na presidência da República Francesa

por Thierry Meyssan* Artigo tirado de http://www.voltairenet.org/article157832.html






Nicolas Sarkozy deve ser julgado pelas suas acções e não pela sua personalidade. Mas quando as suas acções surpreendem até os seus próprios eleitores, é legítimo debruçarmo-nos em pormenor sobre a sua biografia e interrogarmo-nos sobre as alianças que o conduziram ao poder. Este artigo descreve as origens do presidente da República Francesa. Todas as informações nele contidas são verificáveis, com excepção de duas imputações, pelas quais o autor assume a responsabilidade exclusiva.



Os franceses, cansados das demasiado longas presidências de François Mitterrand e de Jacques Chirac, elegeram Nicolas Sarkozy contando com a sua energia para revitalizar o país. Eles esperavam uma ruptura com anos de imobilismo e ideologias ultrapassadas. Tiveram uma ruptura com os princípios que fundam a nação francesa. Ficaram estupefactos pois este "hiper presidente", a apanhar um novo dossier a cada dia, a atrair a direita e a esquerda para si, a abalar todas as referências até criar uma completa confusão.

Tal como as crianças que acabam de fazer uma grossa asneira, os franceses estão demasiado ocupados a procurar desculpas para admitir a amplitude dos danos e a sua ingenuidade. Recusam-se portanto a ver quem realmente é Nicolas Sarkozy, o que deveriam ter percebido há muito.

O homem é hábil. Tal como um ilusionista, ele desviou as atenções ao oferecer a sua vida privada como espectáculo e a posar nas revistas populares, até fazer esquecer seu percurso político.

Que se compreenda bem o sentido deste artigo: não se trata de criticar o sr. Sarkozy pelas suas ligações familiares, de amizade e profissionais, mas de criticá-lo por ter escondido suas ligações aos franceses que acreditaram, erradamente, estar a eleger um homem livre.

Para compreender como um homem em que todos hoje concordam em ver o agente dos Estados Unidos e de Israel pode tornar-se o chefe do partido gaullista, depois presidente da República Francesa, é preciso remontar atrás. Muito atrás. Teremos de efectuar uma longa digressão no decorrer da qual apresentaremos os protagonistas que hoje se vingam.

Segredos de família

No fim da Segunda Guerra Mundial, os serviços secretos estado-unidenses apoiaram-se no padrinho italo-americano Lucky Luciano para controlar a segurança dos portos americanos e para preparar o desembarque aliado na Sicilia.

Os contactos de Luciano com os serviços dos EUA passam nomeadamente por Frank Wisner Sr. e depois, quando o "padrinho" é libertado e se exila na Itália, pelo seu "embaixador" corso, Étienne Léandri.

Em 1958, os Estados Unidos, inquietos com uma possível vitória da FLN na Argélia que abriria a África do Norte à influência soviética, decidem instigar um golpe de Estado militar em França. A operação é organizada em conjunto pela Direcção da Planificação da CIA – teoricamente dirigida por Frank Wisner Sr. – e pela NATO. Mas Wisner já havia afundado na demência de modo que é o seu sucessor, Allan Dulles, que supervisiona o golpe. A partir de Argel, generais franceses criam um Comité de Salvação Pública que exerce uma pressão sobre o poder civil parisiense e constrange-o a votar plenos poderes ao general De Gaulle sem ter necessidade de recorrer à força. [1].

Ora, Charles De Gaulle não é o peão que os anglo-saxões acreditavam poder manipular. Num primeiro tempo, ele tenta sair da contradição colonial concedendo uma grande autonomia aos territórios do ultramar no seio de uma União Francesa. Mas é demasiado tarde já para salvar o Império francês pois os povos colonizados não acreditam mais nas promessas da metrópole e exigem a sua independência. Depois de ter conduzido vitoriosamente ferozes campanhas de repressão contra os independentistas, De Gaulle rende-se à evidência. Fazendo prova de uma rara sabedoria política, ele decide conceder a cada colónia a sua independência.

Esta reviravolta foi considerada pela maior parte daqueles que o levaram ao poder como uma traição. A CIA e a NATO apoiam então toda espécie de conspirações para eliminá-lo, inclusive um putsch falhado e uma quarentena de tentativas de assassinato. [2] Entretanto, alguns dos seus partidários aprovam a sua evolução política. Em torno de Charles Pasqua eles criam o SAC, uma milícia para protegê-lo.

Pasqua é ao mesmo tempo um gangster corso e um antigo resistente. Ele casou-se com a filha de um contrabandista de bebidas canadiano que fez fortuna durante a proibição. Dirige a sociedade Ricard que, depois de ter comercializado o absinto, um álcool proibido, respeitabiliza-se a vender anisete. Entretanto, a sociedade continua a servir de cobertura para todas espécie de tráficos relacionados com a família italo-nova-iorquina dos Genovese, aquela de Lucky Luciano. Portanto não é espantoso que Pasqua apele a Étienne Léandri (o "embaixador" de Luciano) para recrutar braços fortes e constituir a milícia gaullista. [3] Um terceiro homem desempenha um grande papel na formação do SAC, o antigo guarda costas de De Gaulle, Achille Peretti – também ele um corso.

Assim defendido, De Gaulle concebe com desenvoltura uma política de independência nacional. Sempre afirmando sua pertença ao campo atlântico, ele põe em causa a liderança anglo-saxónica. Opõe-se à entrada do Reino Unido no Mercado Comum Europeu (1961 e 1967); recusa a mobilização dos capacetes azuis da ONU no Congo (1961); encoraja os Estados latino-americanos a libertarem-se do imperialismo americano (discurso do México, 1964); expulsa a NATO da França e retira-se do Comando Integrado do Aliança Atlântica (1966); denuncia a Guerra do Vietname (discurso de Phnon Pehn, 1966); condena o expansionismo israelense aquando da Guerra dos Seis Dias (1967); apoia a independência do Quebeque (discurso de Montreal, 1967); etc...

Em simultâneo, De Gaulle consolida o poderio da França dotando-a de um complexo militar-industrial incluindo a força de dissuasão nuclear, e garantindo seu aprovisionamento energético. Afasta utilmente os inconvenientes corsos do seu círculo confiando-lhes missões no estrangeiro. Assim, Étienne Léandri torna-se o trader do grupo Elf (hoje Total) [4], ao passo que Charles Pasqua torna-se o homem de confiança dos chefes de Estado da África francófona.

Consciente de que não pode desafiar os anglo-saxões sobre todos os terrenos ao mesmo tempo, De Gaulle alia-se à família Rothschild. Escolhe como primeiro-ministro o director do banco, Georges Pompidou. Os dois homens formam um par eficaz. A audácia política do primeiro nunca perde de vista o realismo económico do segundo.

Quando De Gaulle se demite, em 1969, Georges Pompidou sucede-lhe brevemente na presidência antes de ser levado por um cancro. Os gaullistas históricos não admitem a sua liderança e inquietam-se com a sua tendência anglófila. Eles urram "traição" quando Pompidou, secundado pelo secretário-geral do Eliseu Edouard Balladur, faz entrar "a pérfida Albion" no Mercado Comum Europeu.

A fabricação de Nicolas Sarkozy

Apresentado este cenário, retornemos ao nosso personagem principal, Nicolas Sarkozy. Nascido em 1955, é o filho de um nobre húngaro, Pal Sarkösy de Nagy-Bocsa, refugiado em França depois de ter fugido do Exército Vermelho, e de Andrée Mallah, uma judia originária de Tessalónica. Depois de terem três filhos (Guillaume, Nicolas e François), o casal divorcia-se. Pal Sarkösy de Nagy-Bocsa casa-se novamente com uma aristocrata, Christine de Ganay, de quem terá dois filhos (Pierre-Olivier et Caroline). Nicolas não será educado só pelos seus pais, mas mover-se-á nesta família recomposta.

Sua mãe tornou-se a secretária de Achille Peretti. Depois de ter sido co-fundador do SAC, o guarda-costas de De Gaulle havia trilhado uma brilhante carreira política. Fora eleito deputado e maire de Neuilly-sur-Seine, o mais rico arrabalde residencial de Paris, depois presidente da Assembleia Nacional.

Infelizmente, em 1972, Achille Peretti é posto gravemente em causa. Nos Estados Unidos, a revista Time revela a existência de uma organização criminosa secreta, a "União corsa", que controlaria grande parte do tráfico de estupefacientes entre a Europa e a América, a famosa "French connexion" que Hollywood levaria às telas. Apoiando-se em audições parlamentares e nas suas próprias investigações, a Time cita o nome de um chefe mafioso, Jean Venturi, preso alguns anos antes no Canadá, e que não é outro senão o delegado comercial de Charles Pasqua para a sociedade de bebidas alcoólicas Ricard. Evoca-se o nome de várias famílias que dirigiriam a "União corsa", inclusive os Peretti. Achille nega, mas deve renunciar à presidência da Assembleia Nacional e escapa mesmo a um "suicídio".

Em 1977, Pal Sarközy separa-se da sua segunda esposa, Christine de Ganay, a qual liga-se então com o nº 2 da administração central do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Ela o desposa e instala-se com ele na América. Sendo o mundo pequeno, como é bem sabido, seu marido não é outro senão Frank Wisner Jr., filho do anterior. As funções de Junior na CIA não são conhecidas, mas é claro que ele desempenha um papel importante. Nicolas, que permanece próximo da sua mãe adoptiva (belle-mère), do seu meio irmão e da sua meia irmã, começa a virar-se para os Estados Unidos onde se "beneficia" dos programas de formação do Departamento de Estado.

Neste período, Nicolas Sarkozy adere ao partido gaullista. Ali tem contactos com Charles Pasqua, tanto mais frequentes por este ser não só um líder nacional como também o responsável da secção departamental de Hauts-de-Seine.

Em 1982, Nicolas Sarkozy, tendo concluído seus estudos de direito e tendo-se inscrito nos tribunais, casa com a sobrinha de Achille Peretti. Sua testemunha de casamento é Charles Pasqua. Enquanto advogado, Mestre Sarkozy defende os interesses dos amigos corsos dos seus mentores. Ele adquire uma propriedade na ilha da beleza, em Vico, e imagina "corsisar" o seu nome substituindo o "y" por um "i": Sarkozi.

No ano seguinte é eleito maire de Neuilly-sur-Seine em substituição do seu tio adoptivo, Achille Peretti, abatido por uma crise cardíaca.

Entretanto, Nicolas não tarda em trair sua mulher e, desde 1984, mantém uma ligação escondida com Cecília, a esposa do mais célebre animador da televisão francesa da época, Jacques Martins, que conheceu ao celebrar seu casamento na qualidade de maire de Neully. Esta vida dupla dura cinco anos, até que os amantes deixem seus consortes respectivos para construir um novo lar.

Nicolas é a testemunha de casamento, em 1992, da filha de Jacques Chirac, Claude, com um editorialista do Figaro. Ele não consegue impedir-se de seduzir Claude e de manter uma breve relação com ela, enquanto vive oficialmente com Cecília. O marido enganado suicida-se com a absorção de drogas. A ruptura é brutal e irreversível entre os Chirac e Nicolas Sarkozy.

Em 1993, a esquerda perde as eleições legislativas. O presidente François Mitterand recusa demitir-se e entra em co-habitação com um primeiro-ministro de direita, Jacques Chirac, que ambiciona a presidência e pensa então formar com Edouard Balladur um tandem comparável àquele de De Gaulle e Pompidou. Ele recusa-se a ser novamente primeiro-ministro e deixa o lugar ao seu "amigo de trinta anos", Edouard Balladur. Apesar do seu passado sulfuroso, Charles Pasqua torna-se ministro do Interior. Conservando firmemente o domínio da marijuana marroquina, ele aproveita a sua situação para legalizar as suas outras actividades tomando o controle dos casinos, jogos e corridas na África francófona. Ele também tece ligações na Arábia Saudita e em Israel e torna-se oficial de honra (officier d’honneur) do Mossad. Nicolas Sarkozy, por sua vez, é ministro do Orçamento e porta-voz do governo.

Em Washington, Frank Wisner Jr. assumiu a sucessão de Paul Wolfowitz como responsável pelo planeamento político no Departamento da Defesa. Ninguém comentou as ligações que o uniam ao porta-voz do governo francês.

É então que retorna ao seio do partido gaullista a tensão que se experimentara trinta anos antes entre os gaullistas históricos e a direita financeira, encarnada por Balladur. A novidade é que Charles Pasqua e com ele o jovem Nicolas Sarkozy traem Jacques Chirac para se aproximarem da corrente Rothschild. Saiu tudo errado. O conflito atingirá seu apogeu em 1995 quando Édouard Balladur se apresenta contra o seu ex-amigo Jacques Chirac à eleição presidencial, e será batido. Acima de tudo, seguindo as instruções de Londres e Washington, o governo Balladur abre as negociações de adesão à União Europeia e à NATO dos Estados da Europa central e oriental, livres da tutela soviética.

Nada dá certo no partido gaullista, onde os amigos de ontem estão prestes a matar-se uns aos outros. Para financiar a sua campanha eleitoral, Edouard Balladur tenta apoderar-se da caixa negra do partido gaullista, escondida na dupla contabilidade da petroleira Elf. Assim que morreu o velho Étienne Léandri, os juízes examinaram a sociedade e os seus dirigentes são encarcerados. Mas Balladur, Pasqua e Sakozy não chegarão a recuperar o tesouro.

A travessia do deserto

Ao longo de todo o seu primeiro mandato, Jacques Chirac manteve Nicolas Sarkozy a distância. O homem fez-se discreto durante esta longa travessia do deserto. Discretamente, continua a estabelecer relações nos círculos financeiros.

Em 1996, Nicolas Sarkozy, tendo por fim conseguido encerrar um processo de divórcio que não acabava, casa-se com Cecília. Eles têm como testemunhas os dois miliardários Martin Bouygues e Bernard Arnaud (o homem mais rico do país).

Último acto

Bem antes da crise iraquiana, Frank Wisner Jr. e seus colegas da CIA planeiam a destruição da corrente gaullista e a ascensão ao poder de Nicolas Sarkozy. Eles agem em três tempos: primeiro a eliminação da direcção do partido gaullista e a tomada de controle deste aparelho, depois a eliminação do principal rival de direita e a investidura do partido gaullista à eleição presidencial, finalmente a eliminação de todo rival sério à esquerda de maneira a que fosse certo ganhar a eleição presidencial.

Durante anos os media foram mantidos excitados pelas revelações póstumas de um promotor imobiliário. Antes de morrer de uma doença grave, ele registou, por uma razão nunca esclarecida, uma confissão em vídeo. Por uma razão ainda mais obscura, a "cassette" cai nas mãos de um hierarca do Partido Socialista, Dominique Strauss-Khan, que a faz chegar indirectamente à imprensa.

Se bem que as confissões do promotor imobiliário não resultem em nenhuma sanção judiciária, elas abrem uma caixa de Pandora. A principal vítima dos casos sucessivos será o primeiro-ministro Alain Juppé. Para proteger Chirac, ele assume só todas as infracções penais. O afastamento de Juppé deixa o caminho livre a Nicolas Sarkozy para tomar a direcção do partido gaullista.

Sarkozy explora então a sua posição para constranger Jacques Chirac a retomá-lo no governo, apesar do seu ódio recíproco. Ele acabou por ser ministro do Interior. Que erro! Neste posto, ele controla os prefeitos e a rede de inteligência interna, a qual ele utilizou para colocar os seus indicados nos principais ramos da administração.

Ele também trata dos assuntos corsos. O prefeito Claude Érignac foi assassinado. Se bem que não tenha sido reivindicado, o assassínio foi imediatamente interpretado como um desafio lançado à República pelos independentistas. Após uma longa caçada, a polícia conseguiu prender um suspeito em fuga, Yvan Colonna, filho de um deputado socialista. Desprezando a presunção de inocência, Nicolas Sarkozy anuncia a sua prisão acusando-o de ser o assassino. É que a notícia é demasiado bela, a dois dias do referendo que o ministro do Interior organiza na Córsega para modificar o estatuto da ilha. Seja como for, os eleitores rejeitam o projecto Sarkozy que, segundo alguns, favorece os interesses mafiosos. Se bem que Yvan Colonna posteriormente tenha sido reconhecido culpado, ele sempre clamou a sua inocência e não foi encontrada nenhuma prova material contra ele. Estranhamente, o homem amuralhou-se no silêncio, preferindo ser condenado a revelar o que sabe. Nós revelamos aqui que o prefeito Érignac não foi morto por nacionalistas, mas sim abatido por um assassino a soldo, imediatamente enviado para Angola onde foi contratado pela segurança do grupo Elf. O móvel do crime estava precisamente ligado às funções anteriores de Érignac, responsável pelas redes africanas de Charles Pasqua na Ministério da Cooperação. Quanto a Yvan Colonna, é um amigo pessoal de Nicolas Sarkozy desde há décadas e seus filhos frequentam-se mutuamente.

Explode um novo caso: circulam falsas listagens que acusam mentirosamente várias personalidade de esconderem contas bancárias no Luxemburgo, junto à Clearstream. Dentre as personalidades difamadas, Nicolas Sarkozy. Ele apresenta queixa e sub-entende que seu rival de direita na eleição presidencial, o primeiro-ministro Dominique de Villepin, organizou esta maquinação. Ele não esconde sua intenção de lançá-lo na prisão.

Na realidade, as falsas listagens foram postas em circulação por membros da Fundação Franco-Americana [5], de que John Negroponte era presidente e de que Frank Wisner Jr. é administrador. O que os juízes ignoram e que nós revelamos aqui é que as listagens foram fabricadas em Londres por uma oficina comum da CIA e do MI6, Hakluyt & Co, de que Frank Wisner Jr. é igualmente administrador.

Villepin defende-se do que é acusado, mas está sob exame, proibido de deixar a sua casa e, de facto, afastado provisoriamente da via política. O caminho está livre à direita para Nicolas Sarkozy.

Resta neutralizar as candidatura da oposição. As quotas de adesão ao Partido Socialista são reduzidas a um nível simbólico para atrair novos militantes. Subitamente milhares de jovens obtém seu cartão do partido. Dentre eles, pelo menos dez mil novos aderentes são na realidade militantes do Partido trotskquista "lambertista" (do nome do seu fundador, Pierre Lambert). Esta pequena formação de extrema esquerda historicamente pôs-se ao serviço da CIA contra os comunistas stalinianos durante a Guerra Fria (Ela é o equivalente do SD/USA de Max Shatchman, que formou os neoconservadores nos EUA). [6] Não é a primeira vez que os "lambertistas" infiltram o Partido Socialista. Eles nomeadamente plantaram dois célebres agentes da CIA: Lionel Jospin (que se tornou primeiro-ministro) e Jean-Christophe Cambadélis, o principal conselheiro de Dominique Strauss-Kahn. [7]

São organizadas primárias no interior do Partido Socialista a fim de designar seu candidato à eleição presidencial. Duas personalidades estão em concorrência: Laurent Fabius et Ségolène Royal. Só o primeiro representa um perigo para Sarkozy. Dominique Strauss-Kahn entra na corrida tendo por missão eliminar Fabius no último momento. O que ele está em condições de fazer graças aos votos dos militantes "lambertistas" infiltrados, que dão os seus votos não a ele mas sim a Royal. A operação foi possível porque Strauss-Kahn, de origem judia marroquina, está há muito na folha de pagamento dos Estados Unidos. Os franceses ignoram que ele dá cursos em Stanford, onde foi contratado pela superintendente da universidade, Condoleezza Rice. [8].

A partir da sua tomada de posse, Nicolas Sarkozy e Condoleezza Rice agradecerão a Strauss-Kahn fazendo-o eleger para a direcção do Fundo Monetário Internacional.

Primeiros dias no Eliseu

Na noite da segunda volta da eleição presidencial, quando os institutos de sondagem anunciam a sua provável vitória, Nicolas Sarkozy pronuncia um breve discurso à nação no seu QG de campanha. Depois, ao contrário de todos os costumes, ele não vai à festa com os militantes do seu partido, mas dirige-se ao Fouquet’s. O célebre restaurante dos Campos Elíseos, que outrora era o ponto de encontro da "União corsa", hoje é propriedade do operador de casino Dominique Desseigne. Foi posto à disposição do presidente eleito para receber seus amigos e os principais doadores da sua campanha. Uma centena de convidados ali se acotovelam, os homens mais ricos da França ombro a ombro com patrões de casinos.

Depois disso o presidente eleito oferece-se alguns dias de repouso bem merecidos. Tomando um Falcon-900 privado, vai para Malta. Ali repousa no Paloma, o iate de 65 metros do seu amigo Vicent Bolloré, um miliardário formado no Banco Rothschild.

Finalmente, Nicolas Sarkozy toma posse como presidente da República Francesa. O primeiro decreto que assina não é para proclamar uma amnistia, mas para autorizar os casinos dos seus amigos Desseigne e Partouche a multiplicar as máquinas de moedas.

Ele forma sua equipe de trabalho e seu governo. Sem surpresa, encontra-se ali um bem turvo proprietário de casinos (o ministro da Juventude e Desporto) e o lobbyista dos casinos do amigo Desseigne (que se torna porta-voz do partido "gaullista").

Nicolas Sarkozy apoia-se sobretudo em quatro homens:
- Claude Guéant, secretário-geral do Palácio do Eliseu. É o antigo braço direito de Charles Pasqua.
- François Pérol, secretário-geral adjunto do Eliseu. É um associado-gerente do Banco Rothschild.
- Jean-David Lévitte, conselheiro diplomático. Filho do antigo director da Agência Judia. Embaixador da França na ONU, ele foi afastado das suas funções por Chirac que o julgava demasiado próximo de George Bush.
- Alain Bauer, o homem da sombra. Seu nome não aparece nos anuários. É o encarregado dos serviços de informação. Neto do Grande Rabi de Lyon, antigo Grande-Mestre do Grande Oriente da França (a principal obediência maçónica francesa) e antigo nº 2 da National Security Agency estado-unidense na Europa. [9].
Frank Wisner Jr., que entretanto fora nomeado enviado especial do presidente Bush para a independência do Kosovo, insiste em que Bernard Kouchner seja nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros com uma dupla missão prioritária: a independência do Kosovo e a liquidação da política árabe da França.

Kouchner, um judeu de origem báltica, começou sua carreira a participar na criação de uma ONG humanitária. Graças aos financiamentos da National Endowment for Democracy, ele participou nas operações de Zbigniew Brzezinski no Afeganistão, ao lado de Oussama Ben Laden e dos irmãos Karzaï contra os soviéticos. Nos anos 90 podia ser encontrado junto a Alija Izetbegoviç na Bosnia-Herzégovina. De 1999 à 2001 foi Alto Representante da ONU no Kosovo.

Sob o controle do irmão mais novo do presidente Hamid Karzaï, o Afeganistão tornou-se o primeiro produtor mundial de papoula. O seu sumo é transformado ali em heroína e transportado pela US Air Force para Campo Bondsteel (Kosovo). Lá, a droga passa para os homens de Haçim Thaçi que a escoa principalmente para a Europa e acessoriamente para os Estados Unidos. [10] Os lucros são utilizados para financiar as operações ilegais da CIA.

Karzaï e Thaçi são amigos pessoais de longa data de Bernard Kouchner, que certamente ignora suas actividades criminosas apesar dos relatórios internacionais que lhe foram consagrados.

Para completar seu governo, Nicolas Sarkozy nomeia Christine Lagarde, ministra da Economia e das Finanças. Ela fez toda a sua carreira nos Estados Unidos onde dirigiu o prestigioso gabinete de juristas Baker & McKenzie. No seio do Center for International & Strategic Studies de Dick Cheney, ela co-presidiu com Zbigniew Brzezinski um grupo de trabalho que supervisionou as privatizações na Polónia. Ela organizou um lobbying intenso por conta da Lockheed Martin contra o construtor de aviões francês Dassault. [11].

Nova escapada durante o Verão. Nicolas, Cecília, sua preceptora (maitresse) comum e seus filhos fazem-se oferecer férias estado-unidenses em Wolfenboroo, não longe da propriedade do presidente Bush. A factura, desta vez, é paga por Robert F. Agostinelli, um banqueiro de negócios italo-nova-iorquino, sionista e neoconservador que apresenta seus pontos de vista em Commentary, a revista do l’American Jewish Committee.

O êxito de Nicolas reflecte-se no seu meio-irmão Pierre-Olivier. Sob o nome americanizado de "Oliver", é nomeado por Frank Carlucci (que foi o nº 2 da CIA depois de ter sido recrutado por Frank Wisner Sr.) [12] director de um novo fundo de investimento do Grupo Carlyle (a sociedade comum de gestão de carteiras dos Bush e dos Ben Laden). [13] Tornado o 5º deal maker do mundo, ele gere os haveres principais dos fundos soberanos do Koweit e de Singapura.

A quota de popularidade do presidente está em queda livre nas sondagens. Um dos seus conselheiros em comunicação, Jacques Séguéla, preconiza desviar a atenção do público com novas "people stories". O anúncio do divórcio com Cecilia foi publicado pelo Libération, o jornal do seu amigo Edouard de Rothschild, para encobrir os slogans dos manifestantes num dia de greve geral.

Indo mais além, o comunicador organizou um encontro com a artista e ex-manequim Carla Bruni. Alguns dias mais tarde, sua ligação com o presidente é oficializada e a campanha mediática encobre novamente as críticas políticas. Algumas semanas ainda e é o terceiro casamento de Nicolas. Desta vez, ele escolhe como testemunhas Mathilde Agostinelli (a esposa de Robert) e Nicolas Bazire, antigo director de gabinete de Edouard Balladur que se tornou associado-gerente no Rothschild.

Quando os franceses terão olhos para ver o que têm a fazer?

 Thierry Meyssan

Analista político, fundador do Réseau Voltaire . Último livro publicado: L’Effroyable imposture 2 (a remodelação do Oriente Próximo e a guerra israelense contra o Líbano).


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Tradução de Resistir

As informações contidas neste artigo foram apresentadas na mesa redonda de encerramento do Eurasian Media Forum, no Casaquistão (25/Abril/2008).



[1] Quand le stay-behind portait De Gaulle au pouvoir, par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 27 août 2001

[2] Quand le stay-behind voulait remplacer De Gaulle, par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 10 septembre 2001

[3] L’Énigme Pasqua, par Thierry Meyssan, Golias ed, 2000.

[4] Les requins. Un réseau au cœur des affaires, par Julien Caumer, Flammarion, 1999.

[5] Un relais des États-Unis en France : la French American Foundation , par Pierre Hillard, Réseau Voltaire, 19 avril 2007.

[6] Les New York Intellectuals et l’invention du néo-conservatisme, par Denis Boneau, Réseau Voltaire, 26 novembre 2004.

[7] Éminences grises, Roger Faligot et Rémi Kauffer, Fayard, 1992 ; « The Origin of CIA Financing of AFL Programs » in Covert Action Quaterly, n° 76, 1999.

[8] Dominique Strauss-Kahn, l’homme de « Condi » au FMI, par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 5 octobre 2007.

[9] Alain Bauer, de la SAIC au GOdF, Note d’information du Réseau Voltaire, 1er octobre 2000.

[10] Le gouvernement kosovar et le crime organisé, par Jürgen Roth, Horizons et débats, 8 avril 2008.

[11] Avec Christine Lagarde, l’industrie US entre au gouvernement français, Réseau Voltaire, 22 juin 2005.

[12] L’honorable Frank Carlucci, par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 11 février 2004.

[13] Les liens financiers occultes des Bush et des Ben Laden et Le Carlyle Group, une affaire d’initiés, Réseau Voltaire, 16 octobre 2001 et 9 février 2004.


Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

MORREU A MAI DA PRAÇA DE MAIO GALEGA



O BNG lamenta a notícia da morte da galego-argentina Dionísia Lopes Amado, e soma-se ao recordo do seu "impresionante legado de coerência, dignidade e luita incansável". A candidata do BNG para as eleiçons europeias, Ana Miranda, indicou como "marchou sem saber do seu filho, mas sem desejar vingança". Para achegar-nos ao seu pensamento recomendamos umha entrevista aparecida em Grial em 2006.


Dionisa López Amado canda representante do BNG no exterior, Ana Miranda e Andrés Amado, do BNG de Betanzos Na foto, Dionisa Lópes Amado canda representante do BNG no exterior, Ana Miranda e Andrês Amado, do BNG de Betanços Assi mesmo, a responsable da Comisión de Migración, Ana Miranda, recordouna como unha "muller de sorriso permanente e de carácter afável".

López Amado morreu ás 19.00 horas do sábado en Bos Aires aos 80 anos, trás ser internada no hospital a passada segunda-feira (luns) . Emigrara a Argentina desde Cedeira (A Crunha) em 1952 com o seu marido e com o seu filho de cinco meses, Antonio Días Lopes, quem logo foi seqüestrado aos 24 anos junto com a sua noiva Stella Maris pola ditadura argentina.

Segundo assinalou o BNG, a partir da desapariçom do seu filho, Dionisia emprendeu umha "loita incesante" na busca del percorrendo esquadras da polícia (comisarias), quarteis e campos de internamento sem obter resposta, para implicar-se posteriormente na luita das Mais de Praça de Maio.

López Amado participou sempre en todas as causas onde foi reclamada e colaborou com entidades de defensa dos dereitos humanos. Do mesmo modo, tomou parte das actividades da colectividade galega e militava na organizaçom da diáspora do Bloque Nacionalista Galego.